Goldman Sachs vê crescimento de 6,4% do Brasil em 2010

'Essa é a segunda mudança de projeção. No último outono, eu já falava em 7%', afirmou O'Neill

Reuters,

22 de fevereiro de 2010 | 15h17

O Goldman Sachs elevou a projeção de crescimento do Brasil para 6,4% em 2010 ante previsão anterior de 5,8%, de acordo com o economista-chefe da instituição, Jim O'Neill. "Na sexta-feira, recebi um texto do Paulo Leme (economista do Goldman para mercados emergentes) e ele disse que queria revisar a nossa previsão para 6,4%. Essa é a segunda mudança de projeção. Ele já me deve três jantares. No último outono, eu já falava em 7%", afirmou O'Neill, no seminário "Uma agenda para os Brics". O economista foi quem cunhou a sigla Bric, formada por Brasil, Rússia, Índia e China.

 

Na visão de O'Neill, o mundo hoje tem dois pilares: os Estados Unidos e os países do Bric. E, para, ele, o bloco, principalmente a China, tem um papel importante de compensar a perda de capacidade norte-americana de consumo e produção provocada pela crise.

 

De acordo com o economista, o Goldman estima crescimento de 11,4% para a China, expansão de 8,2% para a Índia e avanço de 4,5% para a Rússia em 2010.

 

Brasil em forte recuperação

 

No mesmo evento, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga afirmou que não dúvidas de que o Brasil se encontra numa forte recuperação econômica, mas colocou dúvidas sobre a sustentabilidade do patamar de expansão.

 

"Fiquei satisfeito em ouvir essa projeção e tendo a achar que é possível que se chegue lá", disse a jornalistas. "Se isso é sustentável são outros quinhentos. Ano passado foi de crescimento nulo e é natural que este ano seja mais alto."

 

Fraga defendeu uma elevação na taxa de investimento e de poupança para que o país possa crescer a níveis mais elevados. "Precisamos investir a 23%, 25% do PIB. Isso vai exigir poupança, financiamento e capital de risco. É razoável esperar por isso daqui a cinco anos", afirmou.

 

O ex-presidente do BC acha que investimentos mais fortes em educação também poderiam ajudar o Brasil a alcançar um novo patamar de crescimento.

 

Câmbio chinês

 

O'Neill e Fraga minimizaram as preocupações das economias desenvolvidas com o câmbio chinês e afirmaram que o iuan vai se valorizar naturalmente nos próximos anos. O'Neil relatou que passou alguns dias na China para conhecer melhor a economia local e concluiu que a moeda chinesa, depois de uma valorização de 20 por cento nos últimos cinco anos, chegou perto do valor justo.

 

"Não ajuda nada quando Bruxelas ou Washington fazem tanto ruído sobre a taxa de câmbio da China. Ela deve ser vista como boa para o povo chinês e não para ajudar Obama ou Bruxelas", alfinetou na palestra.

 

Fraga destacou que a China deve buscar ao longo do tempo fortalecer sua moeda e deixar de ter apenas como referência o dólar. "Em algum momento vai ser interesse deles deixar a moeda se fortalecer", disse.

 

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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