Governo acredita que não vai faltar fungicida para soja em 2004/05

Brasília, 9 - O governo tem agilizado o processo para liberação de novos fungicidas contra ferrugem asiática, disse há pouco o diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Girabis Evangelista Ramos. Ele acrescentou que em fevereiro, quando muitos produtores entraram em contato com o Ministério para reclamar da falta de fungicidas, havia 14 produtos liberados para comercialização. Hoje são 19 marcas. Ramos informa que há outros processos em estágio de avaliação, mas que a expectativa é que não falte fungicida durante o ciclo da safra 2004/05. Ele admitiu, no entanto, que o ataque da ferrugem asiática pode ser igual ou superior ao da safra 2003/04. "A ferrugem é de muito fácil propagação, por isto é necessário o controle durante todo o período de desenvolvimento das lavouras", afirmou. Ele esclareceu que o governo tomou uma série de medidas para orientar os produtores sobre a melhor forma de controle. Mil CDs com informações sobre a ferrugem e 30 mil alertas sanitários foram distribuídos nas principais regiões de produção do País. Cálculos da Embrapa mostram que o Brasil perdeu 4,5 milhões de toneladas de soja este ano por conta da ferrugem. Os gastos com fungicida e o prejuízo com a quebra da safra somam US$ 2 bilhões. A gerente de regulamentação da Syngenta, Rosemarie Rodrigues, disse que a empresa aguarda uma autorização do governo para um novo sistema de produção de fungicida contra ferrugem. O novo produto será fabricado na unidade de Paulínia (SP), e demandou investimento de US$ 1 milhão. Ao produzir internamente, a empresa poderá fornecer fungicida aos produtores num prazo de até 30 dias após a encomenda, contra 90 dias no processo atual que exige importações. Rosemarie disse que as empresas de biotecnologia têm priorizado as pesquisas em busca de novos produtos para o combate à ferrugem, mas que se houver a ocorrência da doença nos Estados Unidos e no Brasil, a situação ficará muito grave. "Um desses dois mercados não poderá ser abastecido no curto prazo", afirmou. Ela disse que, numa situação normal, o registro de novo produto no Ministério da Agricultura chega a demorar dois anos para ser concluído.

Agencia Estado,

09 de setembro de 2004 | 17h22

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