Governo ainda mira meta de 3,3% para superávit primário, diz Bernardo

Ministro do Planejamento também disse que a área econômica já fez todasas contas necessárias para embasar uma decisão do presidente Lula - afavor ou contra - sobre o reajuste de 7,7% para os aposentados

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

27 de maio de 2010 | 15h48

Mesmo com o bom desempenho das contas públicas em abril, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o governo continua mirando na meta de superávit primário para 2010, de 3,3% do PIB. "Estamos mirando na meta, mas pode acontecer de ser um pouco a mais como já aconteceu em outros anos", disse o ministro ao chegar para a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

O ministro informou também que a área econômica do governo já fez todas as contas necessárias para embasar uma decisão do presidente Lula - a favor ou contra - sobre o reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo. "As contas que precisavam ser feitas, já levamos a ele", disse o ministro. Ele reiterou que a posição da equipe econômica é manter o reajuste de 6,14% que está sendo pago desde janeiro e que foi acordado com as centrais sindicais. Ele lembrou que esse porcentual significa um ganho real de 2,5%.

Bernardo voltou a dizer também que o governo não tem compromisso com um reajuste de 7%. Esse valor havia sido negociado com o Congresso para evitar que o aumento de 6,14% se transformasse em 7,7%. Como os parlamentares não aceitaram o acordo proposto pelo governo, Bernardo disse que a União não está obrigada a cumprir esse porcentual. "Como não foi aceito (os 7%), não podemos ser obrigados a cumprir com que não nos comprometemos", afirmou.

Ao ser questionado se poderia haver um corte adicional do orçamento caso Lula decida sancionar os 7,7%, Bernardo respondeu que a "ideia parece interessante".

O ministro também criticou a proposta que tramita no Congresso para reajustar os salários dos servidores do Judiciário. Ele disse que avisou ontem a Comissão de Trabalho da Câmara que não há recursos este ano para este projeto porque o impacto seria muito expressivo, em mais de R$ 7 bilhões por ano.

Ele explicou que sugeriu à comissão que o projeto seja encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para receber um parecer. Ele disse que a assessoria jurídica do Ministério avaliou que o projeto deveria ter essa análise do CNJ, o que não foi feito. Bernardo disse que até se comprometeu a participar de uma reunião com representantes do CNJ e da Câmara, caso seja convidado. 

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