Governo americano espera criação de 95 mil empregos por mês em 2010

Relatório Anual Econômico do Presidente destaca 'clara evidência' de estabilização da turbulência no mercado

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 14h58

A Casa Branca prevê que o número de empregos nos EUA deverá aumentar em uma média de 95 mil vagas por mês neste ano, sugerindo que o mercado de trabalho continuará a se recuperar lentamente, à medida que a economia emergir da crise, que já dura dois anos.

 

No Relatório Anual Econômico do Presidente, o governo norte-americano destacou que há uma "clara evidência" de que a turbulência do mercado de trabalho está se estabilizando, mas é preciso estimular a criação de emprego, já que milhões de americanos ainda continuam sem trabalho.

 

"Será preciso uma longa e robusta expansão do PIB para eliminar o desemprego que ganhou força no curso da recessão", disse o relatório. "Somente quando a taxa de desemprego retornar aos níveis normais e as famílias estiverem mais seguras com seus empregos, casas e poupança, essa terrível recessão terá terminado.

 

A média de corte de empregos mensal caiu durante o ano passado, de 691 mil vagas no primeiro trimestre de 2009, uma melhora que a Casa Branca atribui em parte ao pacote de estímulo econômico de US$ 787 bilhões lançado pelo governo.

O relatório, elaborado pelo Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca (CEA), fornece um panorama detalhado das ações do governo para enfrentar a recessão no país. O comunicado não informa, porém, novas direções da política monetária ou perspectivas econômicas.

 

Carta ao Congresso

 

Na carta para o Congresso que acompanha o relatório, o presidente Barack Obama classificou a perda de mais de 7 milhões de empregos durante a recessão como uma "tragédia humana terrível" e renovou o seu pedido aos congressistas para que elaborem um plano a fim de estimular a criação de empregos por meio de corte de impostos das pequenas empresas, projetos de infraestrutura e incentivos para produção de energia limpa.

 

"Meu governo não descansará e a recuperação econômica não estará concluída, enquanto não forem criados empregos para substituir os que foram perdidos e até que os EUA voltem ao trabalho", destacou o presidente.

 

Ele se reuniu com congressistas republicanos e democratas nesta semana para tentar chegar a um acordo sobre o projeto de lei para o mercado de trabalho, mas ainda não está definido quais serão as diretrizes do plano ou se ele terá apoio de ambos os partidos.

 

Nas mais de 400 páginas do relatório, o primeiro divulgado na administração Obama, o governo prevê uma alta continuada das poupanças pessoais e destaca os esforços da administração para impulsionar as exportações.

 

O comunicado contém capítulos dedicados a tentativa da Casa Branca de "reconstruir" a economia por meio da reforma da saúde, as iniciativas para incentivar a produção de energia limpa e as medidas destinadas a impulsionar o crescimento da produtividade.

 

"Não podemos subestimar os enormes desafios econômicos que o país tem enfrentado desde o ano passado", disse a presidente do CEA, Christina Romer. "Nós herdamos, certamente, grandes problemas." As informações são da Dow Jones.

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