Governo anuncia fim do embargo russo a carnes de RS, PR e MT

Decisão foi comunicada na última sexta-feira ao secretário de Defesa Agropecuária, durante encontro com o chefe do serviço sanitário russo   

Suzana Inhesta, Tássia Kastner e Venilson Ferreira, da Agência Estado,

28 de novembro de 2012 | 15h11

BRASÍLIA - O secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, e o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, anunciaram nesta quarta-feira, 28, que o governo russo suspendeu o embargo às importações de carne bovina, de aves e de suínos de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada na última sexta-feira ao embaixador brasileiro em Moscou e ao secretário Ênio Marques, durante encontro com o chefe do serviço sanitário russo (Rosselkhoznadzor), Sergey Dankvert.

Segundo o governo brasileiro, a retomada das exportações dos três Estados para o mercado russo ainda depende da emissão de comunicado oficial pelo serviço sanitário russo e da habilitação específica por estabelecimento exportador. Ênio Marques explicou que os dois países também acertaram que todos os lotes de carne a serem enviados ao país europeu deverão ser acompanhados de declaração adicional, confirmando a ausência da utilização do indutor de crescimento ractopamina e uso de hormônio de crescimento.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, considerou positiva a decisão do governo russo de reverter o embargo, mas lembrou que não gera resultados no curto prazo. "Precisaríamos de novas unidades habilitadas, o que parece não irá ocorrer, pelo menos agora", disse o executivo à Agência Estado. Segundo ele, para retomar os embarques ainda são necessários aprovação do Acordo de Equivalência Sanitária entre Brasil e Rússia e um acordo sobre o novo Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a Rússia, que, ressaltou, ainda está com "pendências importantes".

Camargo Neto não quis prever possível data para a retomada das vendas ao país. "Com a Rússia é sempre imprevisível. Ainda não sei avaliar se de fato está sob controle e quando retomaremos os embarques", completou.

Dentre as três proteínas animais, as vendas externas de carne suína foram as mais prejudicadas. Antes da aplicação do embargo, mesmo que parcial, em 15 de junho do ano passado, a Rússia era o principal mercado da carne suína brasileira em volume e em receita. Quando entrou em vigor o embargo russo, o Brasil ficou com apenas uma unidade apta a exportar àquele país. Hoje são apenas duas unidades, ambas da BRF localizadas em Rio Verde (GO) e Uberlândia (MG), que em 30 de dezembro do ano passado foram liberadas pelas autoridades russas. De janeiro a outubro, as vendas de carne suína à Rússia somaram 109,457 mil toneladas, queda de 9,34%, e a receita, US$ 313,762 milhões, recuo de 16,55%.

Produtor do RS espera melhor remuneração com retomada de vendas

O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, acredita que a reabertura do mercado russo para a carne produzida no Estado pode significar melhor remuneração ao produtor. "O mercado está em um momento de recuperação, com mais esse fato vai melhorar a remuneração", afirma. Folador descarta um aumento de produção para voltar a atender a demanda russa. "O mercado cresce, em média, 4% a 6% ao ano; não vai ter aumento brusco, até porque um investimento na suinocultura é de longo prazo".

 

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