Governo apoia criação de grandes grupos empresariais

A formação de megaconglomerados empresariais, como o da Sadia-Perdigão - precedido por outros como VCP-Aracruz, Brahma-Antarctica, Oi-Brasil Telecom, Itaú-Unibanco - instalou-se como tendência na economia brasileira. Um caminho estimulado pelo governo, com participação ativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal financiador da atividade produtiva do País.

Irany Tereza,

17 de maio de 2009 | 22h36

 

linkVeja o especial sobre a fusão entre Perdigão e Sadia

No caso do setor petroquímico, o próprio governo liderou o processo de concentração, com a Petrobrás cimentando a formação de apenas dois grandes grupos nacionais selecionados pela estatal, Braskem e Quattor (empresa resultante da associação Petrobrás-Unipar). Uma consolidação que também contou com o aval financeiro do banco de fomento estatal.

A atuação do BNDES nessas reestruturações já recebeu algumas críticas. O caso mais emblemático foi a compra da Aracruz, empresa que amargou perdas de mais de R$ 2 bilhões com operações de derivativos cambiais, pela VCP. A operação reuniu dívidas das duas empresas de cerca de R$ 10 bilhões. Saldo bem parecido com o do negócio Sadia-Perdigão, gestado num momento em que as duas empresas somaram, no primeiro trimestre, dívidas de R$ 10,4 bilhões e prejuízos de R$ 465 milhões.

Eduardo Rath Fingerl, diretor da área de Mercado de Capitais do BNDES e um dos estrategistas da atuação do banco nessas operações, lembra que, no caso da Aracruz, a participação do banco foi condicionada à reestruturação da empresa. "Não entramos em empresas com derivativos em aberto e não faremos isso", diz, defendendo o negócio que, segundo ele, "criou a maior empresa do mundo em papel e celulose". E utiliza o critério de valorização em bolsa da empresa resultante da compra para justificar a operação. Espera reação semelhante para Sadia-Perdigão.

"Do ponto de vista de operações de consolidação, em alguns setores, como celulose e agroalimentar, o Brasil tem grandes vantagens competitivas. A lógica hoje no mundo é de que estas empresas se tornem cada vez maiores e robustas. Esse é um dos vetores de atuação do BNDES, ou seja, quando isto acontece (fusão), o entendimento é de que devemos apoiar. É um dos papéis do BNDES: promover o fortalecimento de empresas de bons fundamentos e de capital nacional, com vistas a uma operação de natureza global", declara.

 

Colaborou Daniele Carvalho

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