Governo argentino afirma que é difícil avaliar impacto da greve

Segundo chefe de gabinete de ministros, a greve 'podia ser confundida com um locaute empresarial'

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S. Paulo,

11 de abril de 2014 | 10h48

BUENOS AIRES - O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, declarou nesta sexta-feira, 11, que "é muito difícil avaliar o impacto da greve geral" realizada na quinta-feira por três das cinco centrais sindicais argentinas. Capitanich, braço-direito da presidente Cristina Kirchner na área política, sustentou que a greve "podia ser confundida com um locaute empresarial".

Capitanich fazia alusão a comentários feitos ontem por aliados do governo que indicavam que diversas empresas teriam colaborado ativamente com os sindicalistas, fechando suas portas para que seus próprios trabalhadores faltassem. Segundo o governo, as centrais sindicais contaram com o respaldo de grupos de mídia, como o Clarín, e a Sociedade Rural, críticos da presidente Cristina.

Os sindicalistas retrucaram, afirmando que o governo tenta defender-se recorrendo a "teorias da conspiração". Capitanich também condenou os líderes sindicais, afirmando que "vários destes sindicalistas que atualmente criticam o governo foram aliados e beneficiados" pela política econômica de Cristina Kirchner.

A paralisação foi protagonizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) "rebelde", a CGT "Azul e Branca" e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) "rebelde". Estas centrais racharam com o governo Kirchner nos últimos três anos. Não aderiram à greve de ontem a CGT "oficial" e a CTA "oficial", alinhadas com o governo Kirchner.

Os sindicatos exigiram aumentos salariais de 32% a 40% para enfrentar uma inflação que as consultorias econômicas calculam em mais de 40% neste ano. Além disso, as duas CGTs e a CTA também pediram a redução de impostos para a classe trabalhadora e aumentos das aposentadorias.

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