Leo La Valle/EFE
Leo La Valle/EFE

Governo argentino avalia suspender voos

Perdas da Aerolíneas Argentinas chegam a US$ 624 milhões até setembro

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

21 de novembro de 2011 | 23h00

O governo argentino anunciou nesta segunda-feira, 21, que pode suspender todas as rotas aéreas internacionais da Aerolíneas Argentinas que sejam deficitárias. O anúncio foi feito pelo ministro de Planejamento Federal e Obras Públicas, Julio De Vido, que explicou que na mira do governo estão a maior parte das rotas para os países da Oceania (muito usadas pelos turistas brasileiros rumo à Austrália e Nova Zelândia), Estados Unidos e Europa. Estes voos, segundo ele, representam 40% do déficit da empresa. As rotas para o Brasil não devem ser afetadas.

O déficit da Aerolíneas foi o centro de grande polêmica desde sua reestatização, em 2009. A empresa, segundo os líderes da oposição, tornou-se um "poço sem fundo" que absorve subsídios e não gera lucros. No total, a Aerolíneas deve receber US$ 4 bilhões em ajuda financeira do governo desde 2009 até o final de 2011.

A Associação de Pilotos de Linhas Aéreas (Apla) divulgou um relatório no qual sustenta que nos primeiros nove meses deste ano a Aerolíneas Argentinas e sua subsidiária Austral tiveram prejuízos de US$ 624 milhões.

De Vido disse que a presidente Cristina Kirchner deu ordens para "começar uma segunda etapa na empresa aérea". O ministro afirmou que o plano prevê um aumento na frequência e no número de destinos nacionais. Para isso, o governo pode até mesmo subsidiar os voos domésticos "o quanto for necessário".

Crise sindical. Desde sua reestatização, a Aerolíneas está no meio de uma crise entre seus sindicatos, a diretoria da empresa e o governo Kirchner. Na semana passada, uma greve de um dos cinco sindicatos que representam os trabalhadores da Aerolíneas provocou a suspensão de dezenas de voos internacionais da empresa.

O governo fala em revisar o questão trabalhista da empresa, enxugar a equipe e acabar com alguns benefícios. Um levantamento do jornal Perfil indicou que a Aerolíneas possui 1.100 pilotos que operam 34 aviões, uma média de 32 pilotos por aparelho. Cada um deles recebe entre US$ 10 mil e US$ 15 mil por mês.

"Não será uma questão de reduzir direitos ou conquistas trabalhistas, mas sim de acabar com atitudes que parecem ser pequenas frescuras", disse De Vido, famoso por não ter papas na língua.

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