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Governo boliviano vai intervir em petroleira da BP, diz fonte

A Bolívia vai intervir na petroleira Chaco, controlada por uma empresa da BP no país, depois que seu acionista majoritário negou-se a ceder o controle da companhia ao Estado, disse na quinta-feira uma fonte oficial, em um sinal de dureza do governo a dois dias do referendo sobre uma nova Constituição socialista. A fonte do governo, que pediu anonimato, explicou que a estatal YPFB tomará o controle nas próximas horas dos escritórios e dos campos petroleiros da filial boliviana do grupo Pan American Energy, formado 60 por cento pela BP e o capital restante pela argentina Bridas. Em seu processo de nacionalização dos hidrocarbonetos, o governo estava negociando adquirir uma participação de pouco mais de um por cento em Chaco para que a YPFB aumentasse sua presença na empresa para mais de 50 por cento. Mas as negociações fracassaram, o que obrigou o presidente Evo Morales a assinar um decreto para nacionalizar a empresa, que opera vários campos cujo gás natural extraído é exportado para a Argentina. "O governo decidiu mediante decreto supremo tomar o controle acionário da empresa depois de fracassar uma negociação iniciada em maio", disse a fonte. "O presidente da YPFB tomará controle físico dos escritórios de Chaco na manhã de hoje (sexta-feira), acompanhado por uma comissão de fiscais", completou. O governo tinha oferecido 4,8 milhões de dólares para tomar o controle de Chaco. Não está claro se o decreto de Morales dá ao Estado 100 por cento da empresa ou 51 por cento. O governo boliviano lançou em maio de 2006 um programa de nacionalização de hidrocarbonetos, segundo o qual o Estado deve passar a controlar as petroleiras particulares que operam no país. No domingo os bolivianos vão decidir nas urnas sobre uma nova Constituição socialista que aprofundará o programa de nacionalização da economia do país. A Bolívia tem as segundas maiores reservas de gás natural da América do Sul, atrás da Venezuela. Os principais destinos de suas exportações são Brasil e Argentina. (Por Alejandro Lifschitz e Carlos Quiroga)

CARLOS A. QUIROGA, REUTERS

23 de janeiro de 2009 | 12h43

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