Governo central economiza R$ 4,118 bi em maio

No acumulado do ano, o superávit primário alcança R$ 45,45 bilhões, equivalente a 2,83% do PIB, o segundo melhor resultado da série histórica para o período

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

29 de junho de 2011 | 15h23

O governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit primário de R$ 4,118 bilhões em maio, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 29, pelo Tesouro Nacional.

O resultado ficou dentro do intervalo projetado pelos analistas consultados pela Agência Estado, que ia de superávit R$ 2,1 bilhões a R$ 6,6 bilhões, e superou a mediana de R$ 4 bilhões. O superávit primário é a economia feita pelo governo para o pagamento de juros da dívida pública.

No mês, o Tesouro apurou superávit de R$ 6,564 bilhões, enquanto a Previdência Social e o Banco Central registraram déficits de R$ 2,419 bilhões e R$ 26,6 milhões, respectivamente. No acumulado do ano até maio, o superávit primário do governo central alcançou R$ 45,452 bilhões, equivalente a 2,83% do Produto Interno Bruto (PIB). Em igual período do ano passado, a economia do governo central foi de R$ 24,228 bilhões, ou 1,69% do PIB.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, avaliou que o superávit primário acumulado até maio deste ano é "absolutamente eloquente", e já ultrapassa a metade da meta para todo o ano, de R$ 81 bilhões. "Achamos que é a consolidação de uma previsão fiscal bastante favorável em 2011", acrescentou.

Segundo Augustin, o desempenho nos cinco primeiros meses de 2011 foi o segundo melhor da série histórica, só perdendo para o resultado de 2008, quando o superávit do Governo Central chegou a R$ 53 bilhões no acumulado até maio. "Tendência é de um ano que se aproxima de 2008, quando o governo fez uma economia superior à meta, e depositou o excedente no Fundo Soberano", afirmou o secretário.

Augustin destacou o superávit de R$ 4,118 bilhões em maio, mês que tradicionalmente apresenta resultados baixos ou negativos. No ano passado, por exemplo, maio registrou déficit primário de R$ 505 milhões.

Despesas

Já as despesas do Governo Central cresceram 9,1% de janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2010. Já as receitas totais do Governo Central apresentaram crescimento de 17,4% na mesma comparação. Nos cinco primeiros meses de 2010, as despesas haviam crescido 18,5% em relação ao ano anterior, em ritmo superior ao desempenho das receitas, que até então apuravam aumento de 17,9%.

A redução no ritmo de expansão das despesas em 2011 pode ser explicada pelo freio nos investimentos totais do governo. Até maio deste ano, foram pagos R$ 16,9 bilhões em investimentos, com avanço de apenas 1% em relação aos cinco primeiros meses de 2010. Além disso, pelo quinto mês consecutivo, o ritmo de expansão dos investimentos diminuiu. Em janeiro, a comparação com 2010 mostrava um crescimento de 85%, que caiu para 25% no primeiro bimestre, para 9% no primeiro trimestre e encerrou o quadrimestre em 5%.

Já os investimentos relacionados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) chegaram a R$ 9,802 bilhões de janeiro a maio deste ano, com crescimento de 37% em relação a igual período de 2010. Até abril, essa comparação mostrava uma expansão de 39%.

Augustin negou que o governo esteja segurando os investimentos para fazer superávit primário. "Não há contenção dos investimentos para se fazer primário. O que ocorre são questões de calendário", argumentou Augustin. Segundo ele, a base de comparação é muito alta, porque o governo foi obrigado a realizar mais investimentos no primeiro semestre do ano passado, devido às eleições no período seguinte. Até maio de 2010, os investimentos cresciam 70% em relação ao mesmo período de 2009.

Por isso, acrescentou o secretário, o ritmo de expansão dos investimentos do governo deve se acelerar no segundo semestre, mesmo porque a base de comparação será bastante inferior. "O ritmo ainda é menor do que o que esperamos para o ano, mas não estamos falando de um investimento pequeno. Nós vamos fechar o ano com crescimento do investimento acima do PIB nominal, e com a expansão das despesas abaixo", completou.

Augustin destacou ainda que os pagamentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) continuam crescendo, e já acumulam expansão de 37% até maio, na comparação com o mesmo período de 2010.

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