GABRIELA BILÓ/ESTADÃO - 11/01/2022
Movimentação no Aeroporto de Brasília; Companhias começaram a cancelar voos após aumento de casos de covid e influenza entre funcionários GABRIELA BILÓ/ESTADÃO - 11/01/2022

Governo cobra esclarecimentos de companhias aéreas sobre cancelamentos de voos

Secretaria Nacional do Consumidor quer saber quais procedimentos estão sendo adotados pelas companhias para compensar os passageiros afetados

Guilherme Pimenta, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2022 | 19h03

BRASÍLIA - A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), cobrou nesta terça-feira, 11, esclarecimentos das companhias aéreas sobre os voos cancelados no início deste ano.

Em ofício enviado à Latam, Gol e Azul, o órgão pede explicações sobre a quantidade e o percentual de voos cancelados entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, quantos consumidores vão ser afetados pela medida, quais os procedimentos adotados pelas companhias em caso de cancelamento e qual o procedimento caso o passageiro opte por reacomodação ou reembolso dos valores pagos.

Além disso, a Senacon também quer saber quantos consumidores desistiram de voos neste período por conta própria, bem como se estão sendo transmitidas aos consumidores as informações sobre cancelamentos e desistência de voos, considerando medidas emergenciais tomadas após a pandemia do coronavírus.

Os questionamentos fazem parte de um monitoramento aberto pela Senacon após as companhias cancelarem voos nas últimas semanas devido a casos de covid-19 e influenza de seus funcionários

Posteriormente, a depender das informações prestadas pelas empresas, o órgão pode abrir processos sancionadores e, no limite, puni-las. As empresas têm 10 dias para responder aos questionamentos do órgão.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está monitorando a situação e o Procon-SP notificou, na segunda-feira, 10, as companhias aéreas Azul e Latam sobre os cancelamentos de voos dos últimos dias.

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Governo avalia aeroportos para ver se adota medidas como isenção de multa para quem desistir de voo

Quando o Brasil sentiu os primeiros efeitos da covid-19 em 2020, medidas para facilitar a remarcação e reembolso de passagens figuraram entre as primeiras iniciativas do governo federal de enfrentamento à pandemia

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2022 | 19h03

BRASÍLIA - O governo federal monitora a situação nos aeroportos para definir se novas medidas de flexibilização para remarcação e reembolso de passagens aéreas serão necessárias diante do avanço de casos de covid-19. Mais de 500 voos foram cancelados após o aumento de diagnósticos da doença, e também da influenza

"O governo federal acompanha a situação para decidir sobre a necessidade ou não de adoção de novas medidas", afirmou o Ministério da Infraestrutura ao Estadão/Broadcast. O trabalho é feito em parceria com a Secretaria Nacional de Aviação Civil da pasta e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)

Quando o Brasil sentiu os primeiros efeitos da covid-19 em 2020, medidas para facilitar a remarcação e reembolso de passagens figuraram entre as primeiras iniciativas do governo federal de enfrentamento à pandemia. Pelas regras, que foram prorrogadas até o fim de 2021, o passageiro que cancelasse a viagem ficava isento da cobrança de multa, desde que optasse por manter um crédito na companhia aérea para utilização futura. Quem escolhia o reembolso estava sujeito ao pagamento de eventuais penalidades contratuais. 

Já nas situações em que o cancelamento da viagem era feito pela empresa, o cliente tinha direito à reacomodação, ao reembolso ou ao crédito, que valeria por um ano e meio a partir da compra. 

Com a virada do ano, no entanto, essas normas perderam a validade, voltando a vigorar a resolução nº 400 da Anac. De acordo com a agência, em razão disso, desde 1º de janeiro, se o passageiro desistir da viagem, a empresa pode cobrar as multas previstas no contrato para o reembolso. 

Embora não haja essa obrigatoriedade, o passageiro pode aceitar o reembolso em crédito, mas o valor e o prazo de validade desse crédito precisam ser negociados entre ele e a companhia aérea, afirmou a Anac. "Em qualquer caso, a empresa tem 7 dias para fazer o reembolso, contados a partir do pedido do passageiro. O reembolso não é corrigido pelo INPC", explicou a agência. 

No caso de a empresa cancelar o voo, os passageiros têm direito de escolher entre reacomodação, reembolso integral do valor pago ou execução por outras modalidades. 

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) afirmou que a situação está em "monitoramento permanente" e que suas associadas não cobrarão multas para remarcação de voos nos casos de cancelamentos motivados por diagnóstico de covid-19 entre seus tripulantes.  Entre as grandes empresas do setor, Gol e Latam são associadas à entidade. 

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Covid e influenza cancelam centenas de voos e afetam outros setores

Cerca de 500 voos da Azul e da Latam já foram afetados; parte do segmento de hotéis também pode ter falta de mão de obra

Circe Bonatelli, Juliana Estigarríbia, Lucas Agrela, Talita Nascimento e Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2022 | 05h00

Mais de 500 voos foram cancelados após o aumento de casos de covid-19 e de influenza, tanto entre pilotos e tripulantes de aeronaves quanto no País como um todo. Voos da Azul e da Latam foram os mais afetados. A Gol disse não ter reportado cancelamentos.

No domingo, a Latam informou o cancelamento de 47 voos. Na segunda, a companhia confirmou mais 53 voos cancelados. Nos próximos dias, outros 62 voos serão cancelados, totalizando 162 trechos. 

Na Azul, funcionários receberam um e-mail do presidente, John Rodgerson, na semana passada, alertando para o “alto número de dispensas médicas” na companhia. Com 5% dos voos afetados na quinta-feira passada e 10% a partir de sexta, 387 voos da companhia foram cancelados até o momento, elevando o total no País para 547 (considerados os dados da Latam).

O Procon-SP notificou Azul e Latam, pedindo explicações sobre os cancelamentos dos últimos dias. “As empresas deverão informar até a próxima quarta-feira (amanhã) quantos voos foram cancelados, quantos passageiros foram afetados, a previsão para os próximos 15 dias e qual o plano de contingência para minimizar os danos sofridos pelos consumidores”, disse a entidade de defesa do consumidor.

Outros segmentos 

A Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares ao Transporte Aéreo (Abesata) informou ontem que 5% a 10% dos funcionários do setor foram afastados por covid-19.

“Houve aumento de casos de covid-19 no setor, mas não tivemos problemas de falta de atendimento. As empresas estão se readaptando com horas extras e manobras na escala”, afirmou o presidente da Abesata, Ricardo Miguel.

Já a BLTA, associação que congrega hotéis de luxo como Fasano, Copacabana Palace e Emiliano, disse já estar sofrendo com a falta de pessoal. A associação reporta alta nos casos de influenza e covid-19 em um momento de cenário aquecido para as reservas.

Na área de saúde, estima-se que os hospitais privados brasileiros tenham hoje 10% de suas equipes afastadas. O número vem de conversas da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) com as redes associadas, mas não há levantamento formal. O diretor executivo da Anahp, Antônio Britto, diz que o atendimento já está sendo prejudicado. “Ninguém tem 10% de funcionários sobrando”, afirma Britto.

Lojistas de shoppings são contra reduzir os horários por nova onda

A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) não vê necessidade de reduzir os horários do setor por causa da nova onda de infecções pela variante Ômicron da covid-19 e pela influenza. 

Para os casos de afastamento de funcionários por questões médicas, o presidente da entidade, Nabil Sahyoun, sugere a contratação temporária de substitutos. 

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