Governo cria grupo para estudar e evitar a queda de preço do arroz

Governo quer identificar as melhores ações para melhorar o fluxo nas próximas safras e equilibrar produção e oferta

Célia Froufe, da Agência Estado,

27 de junho de 2011 | 18h25

Para evitar que o problema de queda dos preços do arroz se repita nos próximos anos, o governo decidiu criar mais um grupo de trabalho (GT) para estudar o tema estruturalmente. A primeira reunião está marcada com representantes do setor para esta quarta-feira, 29, na sede do Ministério da Agricultura. "Quarta-feira haverá a reunião com setor produtivo e depois com demais setores", explicou o secretário de Política Agrícola, José Carlos Vaz.

Ele enfatizou a necessidade de se estudar o assunto mais profundamente porque a queda dos preços não ocorre apenas no Brasil. A Tailândia, por exemplo, um dos maiores produtores de arroz do mundo, também tem visto seus preços depreciarem. Não há no governo, no entanto, um diagnóstico claro que justifique a redução dos preços em várias partes do mundo e esta será uma das tarefas desse grupo de trabalho. "Temos um problema conjuntural e também impactos do cenário internacional. Fatores que voltam à baila na situação do arroz", resumiu.

A redução dos preços costuma servir como um desestímulo à continuidade da produção nos anos seguintes. No caso do arroz, no entanto, essa lógica não é tão certa, pois a mudança para outra cultura não é tão simples quanto no caso da soja ou do milho, por exemplo. Por isso, o governo quer identificar as melhores ações para melhorar o fluxo nas próximas safras e equilibrar produção e oferta.

Outro ponto que deve ser destacado no GT é o de novas destinações para arroz, como a produção de ração ou biocombustível entre outras, que não são levadas em conta atualmente. "Há necessidade de estudos de mercado", pontuou Vaz. Ele citou como exemplo levantamento do custo de produção (como arrendamento de terra e da água), otimização da área plantada e atividades e cultivos alternativos.

Dívida

O secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, lembrou que produtores com problemas de honrar financiamentos contratados no passado em função da depreciação dos preços podem se beneficiar de uma medida aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2009. Essa medida autoriza os bancos a renegociaram dívidas dos produtores que tiveram frustração de safra e de comercialização. Hoje, o limite é de 8% da carteira nacional de cada banco. "Seria suficiente", disse, acrescentando que o Banco do Brasil e o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) já estão simplificando o acesso aos produtores necessitados. No caso de custeio, há possibilidade de prorrogação em até três anos.

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