Governo da Grécia enfrenta voto de confiança e FMI chega ao país

Este será o primeiro de três testes a que o gabinete de Papandreou precisa passar para evitar declarar a primeira moratória de dívida pública da zona do euro

Reuters,

21 de junho de 2011 | 07h41

O governo do primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, enfrenta um voto de confiança nesta terça-feira, 21, o primeiro de três testes a que o gabinete precisa sobreviver para evitar declarar a primeira moratória de dívida pública da zona do euro.

O voto acontece depois de um ultimato das autoridades da zona do euro, que pressionaram o Estado mediterrâneo para aprovar, dentro de duas semanas, um novo pacote quinquenal de duras reformas econômicas ou perder € 12 bilhões em empréstimos, necessários para impedir a bancarrota.

Enquanto o Parlamento debatia o voto de confiança, em meio ao forte descontentamento da população com as medidas de austeridade, inspetores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia chegavam a Atenas para discutir mudanças no pacote de reforma pedidas pela Grécia.

Ativistas farão um protesto em frente ao Parlamento antes da votação, após mais de três semanas de manifestações que, na semana passada, ficaram violentas, dividindo opiniões no Partido Socialista do governo.

Papandreou reduziu a dissidência dentro do partido ao substituir algumas figuras impopulares do governo. Agora, com 155 dos 300 assentos da Câmara, o partido deve vencer a moção de confiança durante uma votação que acontece por volta das 18h (horário de Brasília).

Se vencer o voto, o governo precisará aprovar, até terça-feira que vem, um pacote de € 28 bilhões em aumento de impostos e cortes de gastos públicos.

Depois, será necessário sancionar leis para implementar o pacote - uma tarefa potencialmente mais difíicil, pois lidará com privatizações, medidas tributárias e cortes de gastos de forma individual - antes de uma reunião extraordinária de ministros das Finanças da zona do euro, em 3 de julho.

Inspetores

A visita dos inspetores segue o pedido do novo ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, por mudanças no plano de médio prazo. O governo da Grécia disse que a missão dos credores internacionais discutirá mudanças de "nível técnico."

Sem revelar o nome de suas fontes, o jornal Eleftherotypia noticiou nesta terça-feira que a equipe de inspetores pode discutir sobre imposto de renda e uma taxação sobre bebidas, assim como a venda planejada das estatais PPC, EYDAP e Thessaloniki Water.

Funcionários da companhia elétrica grega PPC deram continuidade à greve de 48 horas iniciada à meia-noite de domingo, para protestar contra os planos do governo para vender a empresa. A greve resultou em apagões nos arredores de Atenas e em outros lugares.

(Por Michael Winfrey e Barry Moody)

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