Governo deveria reduzir custos da indústria em vez de tentar desvalorizar real

Segundo estudo do Ipea, valorização da moeda norte-americana agora geraria uma pressão inflacionária que poderia soar como descontrole de preços

Daniela Amorim, da Agência Estado,

15 de dezembro de 2011 | 15h34

RIO - A valorização do dólar ante o real não é a saída para recuperar a produção industrial brasileira, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O instituto divulgou nesta quinta-feira, 15, a última Carta de Conjuntura de 2011, em que analisa a atividade econômica no País. Uma das conclusões é que o governo deve, sim, agir para incentivar a indústria, mas através da redução de custos.

O dólar baixo incentivou o aumento das importações de produtos manufaturados, diminuiu a competitividade dos produtos brasileiros, e levou a uma queda na produção industrial do País. No entanto, uma valorização cambial agora geraria uma pressão inflacionária que poderia soar como descontrole de preços, segundo Roberto Messenberg, coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Ipea. O economista defende a redução dos custos de produção, de forma que a indústria possa voltar a se desenvolver e puxar a taxa de investimentos.

"Aumentar a taxa de câmbio, para nós, é um caminho vedado. Será visto como política suicida, como descontrole inflacionário", afirmou Messenberg. "Falta reduzir o custo da indústria, de forma a reduzir a taxa efetiva de câmbio, sem elevação da taxa nominal de câmbio. É isso o que precisa ser feito."

As altas taxas de juros estariam entre os principais vilões. "Você tem custos industriais, provocados por uma deterioração da estrutura produtiva, em função de uma política monetária voltada exclusivamente para a redução da pressão inflacionaria no País", contou.

No entanto, Messenberg acredita que o Banco Central esteja no caminho certo para reverter os prejuízos, com os sucessivos cortes na taxa básica de juros, a Selic. O coordenador do Ipea aprova a política monetária do BC, mas ressalta que há necessidade de uma política fiscal, que promova investimentos, sobretudo em infraestrutura, de forma a estimular também os investimentos do setor privado. "A taxa de investimentos acompanha de certa forma o movimento da indústria", notou o economista.

PIB

O Ipea prevê ainda que a economia brasileira deve apresentar um crescimento moderado no quarto trimestre do ano. "No quarto trimestre, a economia vai apresentar algum crescimento, mas moderado, por ter começado mal em outubro", avaliou Leonardo Carvalho, pesquisador do Ipea. "Mas alguns dados já mostram uma recuperação em novembro, como o varejo. Houve aumento no licenciamento de automóveis novos. E, na produção industrial, indicadores antecedentes também mostram uma recuperação", contou.

Carvalho estima que o PIB brasileiro termine o ano em torno de 2,8% e 3%. "Se a gente crescer 0% no quarto trimestre, o PIB fecha o ano em 2,8%. Se o crescimento for 0,5%, o PIB cresce 3%", calculou o pesquisador.

Já Messenberg está mais otimista para o PIB no quarto trimestre. "O resultado do PIB no quarto trimestre deve ficar entre 0,5% e 1%".

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