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Governo devia usar reservas para conter alta do dólar, diz economista

Edmar Bacha sugere que medida poderia aliviar as expectativas inflacionárias para o ano que vem

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

23 de setembro de 2011 | 16h19

O governo deve usar suas reservas para conter a alta do dólar. E suspender a medida de elevação do IPI para carros importados. As recomendações são do economista Edmar Bacha, ao ser questionado sobre o que o governo deveria fazer para conter uma desvalorização excessiva do real frente ao dólar.

Um dos formuladores do Plano Cruzado, no governo Sarney, e, posteriormente, do Plano Real, Bacha observou, em seminário nesta sexta-feira, 23, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que suas recomendações, na prática, poderiam conceder alívio para as expectativas inflacionárias do ano que vem. Ele ressaltou que a provável escalada do dólar oferece um cenário de preocupação para a inflação em 2012. "Obviamente são tempos difíceis" avaliou. No entanto, considerou que a suspensão da medida do IPI, com a possibilidade cada vez mais forte de um dólar em alta, só serviria no longo prazo para elevar preços no mercado doméstico, o que ajudaria ainda mais a impulsionar a inflação no varejo.

Ele preferiu não tecer projeções sobre qual seria o câmbio ideal para um cenário mais comportado de inflação no Brasil, limitando-se a dizer que o câmbio ideal no País é o flutuante. "Creio que a taxa de câmbio foi feita para humilhar economistas", disse. "E papai do céu não perdoa economista que diga para onde o câmbio vai", completou, rindo.

Na análise do economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Regis Bonelli, o dólar vai manter a tendência de alta, com possibilidade de pressionar perigosamente a inflação de 2012. Mas, por outro lado, pode conceder algum alívio à indústria, que sofreu tombos sucessivos no nível de atividade por conta da concorrência com importados. "Do primeiro semestre de 2006 ao primeiro semestre de 2011, a indústria perdeu quatro pontos porcentuais do PIB. Isso é muita coisa", afirmou.

Já para a economista da Galanto Consultoria e diretora executiva do Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças, Mônica de Bolle, o cenário atual reflete uma "desorganização", por parte do governo, na gestão da chamada tríade da estabilidade macroeconômica: câmbio flutuante, superávit fiscal e meta inflacionária. Ela lembrou que o governo tem promovido intervenções no câmbio; elevações sucessivas de crédito via bancos públicos, o que influencia um cenário não muito positivo na área fiscal; e com a perspectiva de não cumprimento de metas inflacionárias cada vez mais forte. Para a especialista, a somatória destes fatores conduz a um ambiente macroeconômico com distorções, como parece ser o atual.

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