Governo e Petrobras estão perto de acordo; discutem bandas

Governo e Petrobras estão próximos de um acordo sobre a participação da União na capitalização da estatal, que pode envolver bandas de preços para o petróleo das áreas a serem trocadas por ações da estatal e metas de produção nesses reservatórios, segundo fontes.

NATUZA NERY E DENISE LUNA, REUTERS

26 de agosto de 2010 | 20h43

"Fui informado de que definiram uma banda, não sei qual, mas parece que um pouco acima de 8,5 dólares", afirmou uma fonte com acesso às negociações nesta quinta-feira.

"Por exemplo, 8/9 (oito a nove dólares o barril) ou 9/10 (nove a dez dólares). O valor final dependeria do número de unidades (plataformas) que entrariam em produção em 2015. Parece que a ANP quer sete plataformas e a Petrobras diz que é impossível", acrescentou.

Até agora, pelos informes que haviam circulado na mídia e por declarações de algumas fontes, a discussão estava mais centralizada em se chegar a um preço para o barril das reservas da União, mas outros componentes estão sendo discutidos e podem ter grande peso no acordo final.

"Quanto mais plataformas entram em produção, aumenta o fluxo de caixa, o TIR (taxa interna de retorno), o VPL (valor presente líquido), etc. Portanto, o preço do barril pode ser maior", complementou a fonte.

"Ou seja, o preço do barril não é um valor aleatório. Depende de uma série de premissas. Aí que a porca torce o rabo. Em resumo, o martelo não está tão batido assim".

LINHA DE RACIOCÍNIO

As declarações acima, de certa forma, estão alinhadas a informações que foram repassadas um pouco antes nesta quinta-feira por uma pessoa da Petrobras, que falou na condição de anonimato.

Segundo essa fonte, o preço vai depender muito da área que será escolhida e de quando vai ser iniciada a produção. Quanto mais cedo produzir, mais rápido o retorno para o acionista e maior deveria ser o valor do barril acordado com a União.

"São muitos parâmetros envolvidos e no final vai chegar aí em alguma coisa. Mas enquanto não se acertam os parâmetros, tem muita coisa, como o início da data de produção. Tem muita gente que pensa que fulano comprou (um bloco de petróleo) assim ou assim, mas já estava produzindo, ou próximo de produzir. Pagou muito pouco, mas está lá no meio da África. Depende do local, da área, tudo é possível", disse.

"Nesse momento nada está definido, isso é que é a verdade", disse a fonte da companhia. "Outra (verdade) é que durante setembro começa e acaba a emissão", adicionou.

"É complexo (o processo) e de muito valor. Tem que cuidar para ver se não está deixando nenhuma coisa mal avaliada".

NÚMEROS

O preço que for definido, ou a banda de preço que for acertada, será utilizado para calcular o tamanho da participação da União na capitalização. Quanto maior o preço, maior o peso do governo na operação, mas pode significar um volume de dinheiro menor para a Petrobras, que precisa dos recursos para seu volumoso plano de investimentos.

Isso porque a União entrará com o petróleo de suas reservas na oferta de ações, enquanto o dinheiro virá dos acionistas minoritários.

Um ministro ouvido pela Reuters nesta quinta-feira disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definirá a questão do preço o mais rápido possível assim que tiver os dados completos sobre o assunto.

"O martelo será batido pelo presidente", disse, acrescentando que Lula vai arbitrar a questão que colocou governo e Petrobras em confronto.

O governo deverá receber na próxima segunda-feira o relatório final da certificadora contratada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para avaliar o preço do barril de petróleo das reservas da União no pré-sal.

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