Governo edita MP do salário mínimo e enrola centrais

Governo defende valor de R$ 540 e um reajuste de 5,5% para asaposentadorias

Lu Aiko Otta e Edna Simão, de O Estado de S. Paulo,

22 de dezembro de 2010 | 08h52

O ano de 2010 deve acabar sem que o governo tenha negociado com ascentrais sindicais o aumento real para o salário mínimo e para asaposentadorias, como estava prometido. Os reajustes têm de ser decididosaté o final do ano, para entrar em vigor no dia 1.º de janeiro de 2011.Eles deverão ser fixados unilateralmente pelo governo por meio deMedida Provisória (MP). O governo defende um mínimo de R$ 540 e umreajuste de 5,5% para as aposentadorias.

"Estão nos enrolando", disse o presidente da Força Sindical,deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho. "Estãoempurrando com a barriga", concordou o presidente da União Geral dosTrabalhadores (UGT), Ricardo Patah.

Diante da falta de diálogo, o Congresso decidiu reservar R$ 6,6bilhões do Orçamento de 2011, suficiente para elevar o mínimo a R$ 560 ereajustar as aposentadorias em 7,5%. O representante do governo naComissão Mista do Orçamento, deputado Gilmar Machado (PT-MG) disse que odinheiro será reservado, mas não "carimbado" para pagar os aumentos. Ouseja, não há garantia que os reajustes serão dados. O acordo foifechado porque Paulinho ameaçava obstruir a votação do projeto de lei doOrçamento, marcado para hoje.

O sindicalista acredita que Lula poderá fixar um salário mínimo umpouco maior do que os R$ 540, provavelmente R$ 550.

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