Governo eleva fatia na Petrobrás para 48%, diz Mantega

Ministro destacou que a Petrobrás passa a ser a segunda maior empresa do setor de petróleo no mundo em valor de mercado, atrás apenas da Exxon

Agência Estado e Reuters,

24 de setembro de 2010 | 09h11

O governo federal aumentará a sua participação na Petrobrás de 40% para cerca de 48%, com a capitalização da estatal, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta sexta-feira, 24.

"A operação foi um grande sucesso, até superou as expectativas, em um momento de condição adversa, porque ainda há crise no mundo", declarou ele ao chegar à Bovespa para evento que marcará a abertura simbólica do pregão nesta sexta-feira. O evento contará também com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro destacou que a Petrobrás passa a ser a segunda maior empresa do setor de petróleo no mundo em valor de mercado, atrás apenas da Exxon, com US$ 220 bilhões.

"Somando todos os parceiros do governo, BNDES, Fundo Soberano, União, a participação vai para 48% aproximadamente", destacou Mantega a jornalistas, informando que o governo adquiriu ações preferenciais que antes não possuía.

O governo aumentou sua participação na estatal por meio do chamado processo de cessão onerosa de reservas da União em um volume de 5 bilhões de barris, numa operação que envolve títulos públicos.

"O governo praticamente entrou com os US$ 43 bilhões que adquiriu com a venda dos barris", comentou Mantega.

A Petrobrás arrecadou R$ 120,36 bilhões com sua oferta de ações, a maior já realizada no mundo, garantindo recursos para a exploração do pré-sal.

Caixa

Mantega afirmou que a Petrobrás passará a deter um caixa "polpudo" de US$ 25 bilhões após seu processo de capitalização, que movimentou até R$ 120,360 bilhões, conforme registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os recursos serão usados para viabilizar o plano de investimentos da companhia.

"A Petrobrás fica agora habilitada a realizar com sucesso todo o seu plano de investimentos", afirmou Mantega.

Segundo Mantega, os acionistas minoritários também tiveram ampla participação no processo. "Permita-me dizer que nunca na história deste País e no mundo ocorreu uma operação desse porte", disse, arrancando sorrisos da plateia que acompanha a cerimônia.

O ministro da Fazenda acredita, porém, que o Brasil está blindado contra a chamada doença holandesa, que comprometeu a economia daquele país na década de 70, quando houve uma concentração das atividades no comércio de gás natural. Segundo ele, o País tem o petróleo como bênção e não como uma maldição, porque soube diversificar suas atividades e está crescendo de maneira sustentável, com inflação controlada e novos investimentos.

'Não há necessidade de nova capitalização'

O aporte total do governo na capitalização da Petrobrás foi equivalente ao valor da cessão onerosa de barris da União para a estatal, de R$ 74,8 bilhões, afirmou Mantega. O ministro não detalhou os valores específicos com que a União, o BNDES e o Fundo Soberano entraram na oferta.

Em rápida entrevista com jornalistas, ele descartou a necessidade de a Petrobrás fazer novas capitalizações no futuro por conta dos investimentos na exploração do petróleo na camada do pré-sal. "Com a oferta, o plano de investimentos da Petrobrás de US$ 224 bilhões está viabilizado", afirmou, ao ressaltar que a estatal possui agora US$ 25 bilhões em caixa, além de reduzir o nível de alavancagem, o que permite à empresa tomar novos empréstimos.

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