Governo muda critério de avaliação e ‘melhora’ desempenho de aeroportos

Pela nova metodologia adotada pela Infraero, apenas 3 dos aeroportos das 12 cidades-sede da Copa estão em situação de saturação  

Marta Salomon e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

18 de maio de 2011 | 23h00

Em meio às negociações para a concessão de aeroportos à iniciativa privada e para a abertura do capital da Infraero, mudança de critério adotada pela estatal que administra os aeroportos do país "melhora" a avaliação do desempenho dos terminais de passageiros - apontados como a área mais crítica da infraestrutura aeroportuária.

De acordo com a nova metodologia adotada pela Infraero, apenas 3 dos aeroportos das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 são classificados na situação de saturação crítica, operando no momento acima de 86% de sua capacidade.

Os aeroportos têm capacidade para acolher entre 1,9 milhão de passageiros por ano, caso de Vitória, e 29,2 milhões de passageiros, caso do Galeão, no Rio de Janeiro.

Ainda encontram-se em situação crítica os aeroportos de Brasília, Guarulhos (São Paulo) e Cuiabá, segundo a nova metodologia. Nas três cidades, a Infraero planeja a construção de módulos operacionais, que são terminais provisórios.

Também haverá desses módulos operacionais em Campinas, onde o aeroporto de Viracopos deixou a situação de saturação crítica para saturação com atenção, classificação para a qual é usada a cor amarelo nas planilhas da Infraero.

Módulos. Os módulos operacionais têm custo estimado entre R$ 2,6 milhões e R$ 32,5 milhões, dependendo da cidade. Projeto em discussão na recém-criada Secretaria de Aviação Civil prevê a inauguração de novos terminais ainda neste ano. Tratadas como obras emergenciais, os módulos serão construídos com dispensa de licitação.

A mudança de critérios de avaliação dos terminais de passageiros levou em conta o uso das instalações em mais horas do dia, além da adoção de novas tecnologias pelas companhias aéreas, como o check-in pela internet e terminais de autoatendimento, informou a Infraero.

A nova metodologia teria como base a "revisão das pesquisas dos manuais" de órgãos reguladores e operadores internacionais. De acordo com a nova classificação, os aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Manaus e Recife passaram a operar seus terminais de passageiros dentro do limite adequado de saturação.

Os aeroportos de Fortaleza, Curitiba, Campinas e Belo Horizonte também foram reclassificados de saturação crítica para saturação de atenção. A mudança de critérios teve reflexos na avaliação do desempenho, sobretudo do embarque e desembarque de passageiros em Porto Alegre. A Secretaria de Aviação Civil insiste em que não haverá problemas com os aeroportos n a Copa do Mundo.

No último mês, já houve mudança no plano de investimentos da Infraero para o evento. O valor total caiu de R$ 5,23 bilhões para R$ 5,15 bilhões. Os investimentos são necessários para que a maioria dos aeroportos de cidades-sede opere dentro dos níveis de saturação aceitáveis em 2014, ainda segundo projeções da Infraero.

Mas, apesar das obras previstas, ainda há possibilidade de os aeroportos de Brasília, Curitiba e Confins operarem na Copa do Mundo acima da capacidade dos terminais de passageiros.

Resta ainda grande indefinição sobre o modelo de concessão à iniciativa privada de terminais de passageiros em Brasília, Guarulhos e Viracopos, para os quais o governo já anunciou a intenção de contar com parceiros privados. A tendência mais forte no momento é contar com os parceiros privados para a construção dos terminais, que teriam, em troca, a exploração dos espaços comerciais. Mas há dúvidas se o modelo viabilizaria a concessão do aeroporto de Guarulhos, onde os investimentos necessários superam R$ 700 milhões.

A abertura de capital da Infraero só deverá acontecer no final do mandato da presidente Dilma Rousseff, segundo a previsão mais recente do comando do setor aeroportuário.  

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