Governo paulista aposta em sucesso do leilão da Cesp

O governo paulista mantém a confiançano sucesso do leilão de venda do controle da maior geradorapaulista, a Cesp, apesar do cenário ainda indefinido quanto àrenovação de concessões das hidrelétricas de Jupiá e IlhaSolteira e a consequente pressão dos investidores por umarevisão do preço mínimo de 6,6 bilhões de reais. O governador em exercício Alberto Goldman, que évice-governador e preside o Programa Estadual de Desestatização(PED), afirmou que acredita na participação de "um ou doisconsórcios" no leilão de quarta-feira, dia 26 --que estámantido, segundo ele. "Estamos empenhados para que o leilão seja um sucesso",declarou à Reuters na quarta-feira ao deixar um evento sobrequalificação profissional no Estado de São Paulo. Ele descartou que o governo paulista já esteja estudandouma alternativa para a eventualidade de um leilão esvaziado,acrescentando que a possibilidade de uma oferta de ações queexcedam o controle da Cesp não foi discutida no PED. "Esse temajamais chegou até mim", afirmou. O passo seguinte a um eventual fracasso no leilão será aconvocação de nova reunião do PED, no prazo aproximado de umasemana. Mas não é com isso que conta o governo, que já teminvestimentos em infra-estrutura de transportes planejados comos recursos da venda da Cesp. Apesar da posição cautelosa dos interessados na Cesp sobreparticipar do leilão diante do que é chamada de "pendência deimpacto fundamental", Goldman justificou que o modelo de vendada estatal garante um fluxo de caixa futuro que garantirá arentabilidade do investimento. "Tem essa pendência da renovação, mas o que se tem agora éisso", disse o vice-governador, que evitou prometer uma soluçãoimediata para as concessões que expiram em 2015. "É precisoconsiderar que a posição estratégica que a Cesp garante édifícil de precificar", argumentou. A estatal paulista é a maior geradora do Estado e aterceira do país, com potência instalada de 7.455 MW(megawatts), com seis hidrelétricas --as de Jupiá e IlhaSolteira respondem por 5.000 MW. Como as concessões já foramrenovadas uma vez, nova renovação depende de regulamentação dogoverno federal, e pode vir a título oneroso. Essa indefinição teria jogado água fria nas negociações dosúltimos dias envolvendo os cinco pré-identificados paraparticipar do leilão --CPFL Energia ; Neoenergia, que tem aespanhola Iberdrola como sócia ; Energias do Brasil, ligada àportuguesa EDP ; Tractebel Energia, que faz parte da francesaSuez Energy International ; e a Alcoa Alumínio. PREÇO 'ARROJADO' "Não me parece que esteja acontecendo negociação muitointensa porque tem pendência com impacto fundamental", afirmouà Reuters esta semana um executivo ligado a um dos grupospré-qualificados. "O governo, quando estabeleceu o preçomínimo, foi bastante arrojado, considerando um cenário ondetudo tem que estar certo", disse a fonte. Esse executivo listou três pendências que estariam jogandocontra a decisão de participar do leilão: além da renovação dasconcessões, a projeção do preço da energia a partir de 2012 econtingências de 750 milhões de reais. "São variáveis que,antes de pensar no consórcio, têm que estar resolvidas. A maisrelevante diz respeito à renovação das concessões. Se nãohouver clareza, vai ficar muito difícil haver solução deconsórcio", disse essa fonte. Onde o setor privado vê uma "premissa agressiva" de preçopara a energia futura de 120 a 125 reais por MWh, o governopaulista vê conservadorismo. Para o grupo interessado na Cesp,uma premissa conservadora seriam 110 reais por MWh para aenergia pós-2012. O secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa,buscou derrubar os argumentos contrários ao sucesso do leilão. "A decisão da renovação das concessões vai ser tomadafavoravelmente para todo o setor, não apenas para a Cesp",declarou. Ele observou que concessões de geradoras que somam21.000 MW vencerão em 2015. "Ninguém imagina que o governo federal vá retomar asconcessões e fazer novas licitações. Seria levar o sistema deenergia a um caos, e todos os postes de São Paulo sabem disso",ironizou, acrescentando que a renovação não deve ser onerosa. Mauro Ricardo acredita que, entre os cincopré-identificados, possa surgir até um comprador isolado daCesp, embora o negócio seja estimado em 22,3 bilhões de reais--6,6 bilhões de reais pelo controle do governo, 9,7 bilhões dereais para os minoritários e outros 6 bilhões de reais emdívidas. Um dos interessados na Cesp, a CPFL Energia, informou quefará o depósito de garantias na terça-feira, véspera do leilão,mas uma fonte próxima à empresa confirmou que as pendênciaspodem afastar o grupo da transação. Para o analista-chefe da corretora Prosper, AndréSegadilha, pode haver até um ágio de 10 a 15 por cento sobre opreço mínimo de 49,75 reais a ação. "Acho que o leilão vaiacontecer e que haverá alguma competição interessante",afirmou. Outro analista, que preferiu não ser identificado, acreditaque um consórcio formado por Tractebel Energia, Neoenergia eCPFL Energia fará uma oferta e pode levar a Cesp pelo preçomínimo. Um terceiro analista observou que o preço pela estatalé justo e que a Energias do Brasil e a Alcoa podem se juntar aoconsórcio único. O governo paulista informou também que já montou um esquemapara cassar as liminares contra o leilão que possam resultar deações judiciais em várias instâncias. "Temos um plano para umaguerra de guerrilha", declarou Goldman.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.