Governo pede à UE que não use lobby contra carne brasileira

Celso Amorim diz que apenas fatores científicos podem legitimar ações contra os produtos nacionais

Jamil Chade, do Estado,

18 de julho de 2007 | 19h16

O governo faz uma advertência à União Européia (UE) para que não use fatores políticos ou pressões de lobistas para atacar a carne brasileira. Na terça, em um jantar em Bruxelas, o chanceler Celso Amorim alertou o comissário de Comércio da Europa, Peter Mandelson, de que apenas fatores científicos podem legitimar ações contra os produtos brasileiros.   Veja também: Ministro nega problemas na carne exportada pelo Brasil  No início da semana, um grupo de deputados protecionistas conseguiu que a aprovação do Parlamento Europeu para que fosse pedido um embargo completo da carne bovina brasileira diante dos riscos de surtos de febre aftosa.   Os veterinários da UE rejeitaram o pedido dos parlamentares, mas a pressão política ficou estabelecida. "Eu deixei claro que a questão das carnes é muito importante para o Brasil e que decisões somente podem ser tomadas com base científica", afirmou Amorim. Segundo ele, Mandelson teria entendido o recado, durante um jantar em que se serviu apenas peixes.   O pedido do Parlamento foi tomada com base em um relatório produzido pelos produtores irlandeses, os mais afetados pelas importações da carne brasileira para a Europa. O problema, segundo o governo brasileiro, é que o relatório contém informações falsas. Até mesmo os veterinários da Comissão Européia foram obrigados a concordar que os dados eram incorretos.   Mas a pressão não parece acabar. Na terça, foi a vez dos produtores italianos de carne de soarem um alerta. Segundo Roma, houve um incremento de 44% nas importações do produto brasileiro em 2007, mesmo com os embargos sobre as carnes de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Na Itália, 82% da carne importava hoje vem do Brasil.

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