Governo persegue PIB de 4% este ano, diz Mantega

Ministro da Fazenda diz, no entanto, que o mundo vive momento de incerteza, 'onde as coisas podem mudar'

Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado,

23 de setembro de 2011 | 13h21

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil será revisado para baixo caso haja o agravamento da crise externa, cujo epicentro está na zona do euro. "O Brasil vai crescer 3,8%, 4%", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "A gente só muda previsão depois que tem certeza de que o crescimento que projetamos não vai ser atingido. Estamos trabalhando com 4%, no nosso relatório e a cada dois meses temos que fazer a revisão", disse.

"Continuamos perseguindo os 4% para este ano. Mas repito, vivemos momento de incerteza, onde as coisas podem mudar. Então, se houver agravamento do quadro internacional, então vamos rever nossas previsões".

O ministro reiterou o PIB de 4% várias vezes durante a entrevista. No entanto, esta semana o Ministério da Fazenda informou que mantinha em 4,5% a previsão oficial de crescimento da economia para 2011. A projeção de 4,5% foi feita pela assessoria de imprensa do Ministério após o documento 'Economia Brasileira em Perspectiva', divulgado pela pasta, não ter trazido essa estimativa. Na ocasião, a assessoria disse que a falta da projeção no documento foi motivada por limitações de páginas.

Europa  

Mantega disse que a crise atual, cujo epicentro está na Europa, corre o risco de caminhar para um nível mais sério. "Esse risco pode resultar numa nova crise soberana, afetando os bancos europeus. Portanto, essa é a nova ameaça que temos pela frente", disse o ministro, durante conferência promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington.

"E espero que União Europeia não espere a quebra dos primeiros países para agir", disse. Se houver uma deterioração muito maior da crise europeia, nenhum país será poupado, segundo Mantega. "Não vamos nos iludir. Esta é uma crise que irá irradiar para todos", disse. "Na medida em que a crise não se resolve, aumenta o risco de contágio", disse.

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