Governo quer converter térmicas a óleo para gás

O governo vai propor que as usinas térmicas movidas a óleo combustível que já foram leiloadas, mas ainda não foram construídas, sejam convertidas para gás natural, afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim.

REUTERS

23 de março de 2009 | 20h21

Segundo ele, há vários fatores que favorecem a conversão, como a menor emissão de gás carbônico, a sobreoferta de gás no país, o preço mais barato do combustível e a maior facilidade no transporte do gás.

Tolmasquim afirmou que a negociação com os empreendedores será feita diretamente e, em breve, a EPE vai lançar uma nota técnica com a proposta.

"É uma relação ganha-ganha. Todos saem ganhando com a conversão", disse Tolmasquim a jornalistas após participar de um seminário do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel).

"Já analisamos os contratos e parece que se pode fazer (a conversão). Queremos converter parte das térmicas a óleo", adicionou o executivo, ressaltando que a descoberta da região pré-sal vai aumentar a oferta do produto no país.

O presidente da EPE criticou a elevada concessão de licenças ambientais para usinas térmicas pelos órgãos de meio ambiente no ano passado, em detrimento às usinas hidrelétricas.

"Eu acho estranho que isso aconteça, e é a área ambiental que determina isso. Depois os ambientalistas ficam surpresos e indignados. Indignado fico eu com o absurdo de dar licença para térmica", declarou o executivo em palestra no evento.

Para Tolmasquim, as térmicas devem atuar como "uma energia de reserva" no Brasil.

"Elas não são desagradáveis, mas devemos ter mais hídricas no sistema...acho que o bom senso tem que preponderar no país", disse ele.

"É um 'non sense' se colocar térmicas do jeito que vem se colocando", acrescentou Tolmasquim, que espera uma reversão nessa tendência nos leilões de energia deste ano, com mais energia das usinas hidrelétricas e menos de térmicas.

Mais tarde, o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Roberto Messias, considerou a declaração de Tolmasquim uma provocação. O Ibama é o organismo responsável pela concessão de licenças ambientais no país.

Segundo Messias, a maior agilidade na concessão de licenças para térmicas se deve à melhor qualidade dos estudos de impacto ambiental produzidos pelos empreendedores de termelétricas.

"A área de impacto de uma hidrelétrica é muito maior que a área de impacto de uma térmica, que também tem estudos de melhor qualidade", disse. "Já vi até estudo de impacto ambiental falando da existência de peixe-boi no sertão nordestino", exemplificou.

A EPE prevê para outubro de 2009 a licitação da usina de Belo Monte, no Pará. O projeto tem capacidade de gerar mais de 11 mil megawatts.

A EPE e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) têm estudos de inventários sobre usinas hidrelétricas de quase 52 mil megawatts de energia para os próximos anos.

REVISÃO PARA BAIXO

O presidente da EPE informou que ainda essa semana vai divulgar uma nova projeção para a demanda de energia no país para os próximos 5 anos.

A estimativa para esse ano era de um crescimento de 5,2 por cento ante 2008. Essa projeção foi feita antes do agravamento da crise no último trimestre do ano passado.

"Com a crise, a revisão será para baixo com certeza", frisou ele.

Em fevereiro, o consumo de energia no Brasil caiu 4,4 por cento ante o mesmo mês do ano passado, mas o executivo destacou que em 2009 fevereiro teve um dia a menos que em 2008. Ao se excluir essa diferença, a queda seria de 1 por cento.

Tolmasquim ressaltou que a indústria já pode estar apresentando os primeiros sinais de recuperação na demanda de energia, após o forte baque provocado pela crise.

"Fizemos um exercício e vimos que na média, o consumo da indústria em fevereiro é 0,6 por cento acima de janeiro e, esse ano, foi 3,7 por cento acima", finalizou.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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