Governo quis protelar o aumento da conta de luz

As usinas termoelétricas foram ligadas em outubro do ano passado e não serão desligadas antes de novembro, quando começa o período de chuva. A razão: há menos água que o normal nos reservatórios das hidrelétricas. É preciso preservá-la para evitar o risco de apagão em 2014, ano de Copa do Mundo.

ALEXA SALOMÃO, Agencia Estado

02 de julho de 2013 | 09h05

Mas manter as térmicas operando por tanto tempo gera uma conta pesadíssima. O banco Santander chegou a estimar, no início do ano, que ela chegaria a R$ 30 bilhões em 2013. O governo fez as contas e concluiu que os consumidores não poderiam suportá-la sozinhos.

O primeiro motivo é financeiro: o caixa das distribuidoras seria fortemente penalizado. Pela regras, as distribuidoras teriam de bancar a operação das térmicas até a data da revisão anual da tarifa, quando é possível transferir os custos para a conta de luz do consumidor final. Muitas teriam de esperar meses até esse momento e não suportariam o tranco. Várias poderiam quebrar por volta de abril.

A alternativa para evitar esse risco foi emitir, em março, um decreto transferindo o pagamento do encargo das térmicas em 2013 para o Tesouro. O repasse para a conta de luz seria feito em cinco anos, corrigido pelo IPCA, a partir de 2014.

?Na sequência, o governo se deu conta de que o custo poderia ser pesado até mesmo para o Tesouro, já sobrecarregado com outras despesas excepcionais?, diz uma fonte do setor. Optou-se, então, pelo rateio com geradoras e comercializadoras, que agora é questionado na Justiça.

O rateio deveria aliviar outro custo que preocupou o governo, o político: evitar o aumento da conta de luz perto das eleições - e não muito tempo depois de a presidente Dilma Rousseff prometer que ela ficaria mais barata. Após os protestos, não aumentar a conta de luz é mais importante ainda.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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