Alex Silva/Estadão
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Governo de SP participa de negociações para manter Toyota no ABC

Montadora anunciou na semana passada que vai transferir as operações para três unidades do interior de São Paulo e depois vender a fábrica

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2022 | 18h40

O governo do Estado de São Paulo vai acompanhar as negociações para a manutenção da fábrica da Toyota em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O compromisso foi anunciado nesta segunda-feira, 11, em reunião solicitada pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, com participação do Consórcio Intermunicipal Grande ABC e do Sindicato dos Metalúrgicos local.

A montadora anunciou na semana passada que vai fechar a unidade de São Bernardo, inaugurada há 60 anos e que atualmente produz componentes para as outras três fábricas do grupo no interior de São Paulo e para exportações.

A Toyota afirmou que vai transferir as operações, de forma gradual entre dezembro e novembro e 2023, para essas três filiais e garantiu vagas para os 550 funcionários que aceitarem trabalhar em uma delas.

Quando a Ford anunciou o fechamento de sua fábrica no município, em 2019, o então governador do Estado, João Doria, se envolveu pessoalmente na busca por um comprador que mantivesse a produção de veículos nas instalações.

Foi quase um ano de negociações, com anúncio precipitado de venda para o Grupo Caoa que não se confirmou, e por fim a área foi vendida para um grupo que está construindo no local um grande centro logístico e comercial. No ano passado a Ford fechou outras três fábricas no País e passou a ser importadora de modelos da marca.

TRT determina a criação de mesa de negociação

Na sexta-feira, dirigentes do Sindicato de Metalúrgicos participaram de audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT/SP), que determinou a criação de uma mesa de negociação com a empresa para a verificar a viabilidade da permanência da fábrica em São Bernardo.

A audiência ocorreu após a Toyota entrar com ação contra as mobilizações dos trabalhadores que, em protesto contra o anúncio do fechamento feito na terça-feira, não entraram na fábrica nos três dias seguintes e entregaram um aviso de greve à empresa a partir desta semana.

Com a decisão do TRT, eles decidiram, em assembleia realizada nesta manhã, a volta ao trabalho.

“Os trabalhadores seguiram a orientação da Justiça de retornar ao trabalho e queremos agora que, nesta mesa de negociação, tenhamos junto ao sindicato e à empresa a participação do município, do Estado e o acompanhamento da Justiça do Trabalho”, disse, em nota, o presidente do sindicato, Moisés Selerges. “Queremos sentar, conversar e desenvolver alternativas.” 

Montadora aceita ajudar a buscar comprador

Na última quinta-feira, em reunião com o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, o presidente da Toyota do Brasil, Rafael Chang, também aceitou discutir alternativas para a área onde está a fábrica e a buscar um comprador que queira o espaço para manter a produção local.

Para isso, será formada uma comissão encabeçada pela Prefeitura, pelo secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, Hiroyuki Minami, pelo diretor da pasta, Sadao Hayashi e dois diretores da Toyota. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC disse que não vai participar do grupo pois vai insistir na permanência da montadora na região.

A direção da Toyota afirma que a transferência vai permitir maior sinergia entre suas unidades produtivas, com vistas a aumentar sua competitividade frente aos desafios do mercado brasileiro e da sustentabilidade de seus negócios no País.

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