Governo usará todos os instrumentos para eliminar especulação do dólar, diz Fazenda

Documento avalia que o superávit comercial brasileiro com os países do Bric têm compensado o recente déficit na balança comercial com os EUA

Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

21 de outubro de 2010 | 14h34

O governo usará todos os instrumentos para eliminar novo movimento especulativo no câmbio. O aviso consta da 8ª edição do boletim 'Economia Brasileira em Perspectiva'. O documento destaca que, atualmente, em virtude da diferença de ritmo de crescimento entre economias emergentes e desenvolvidas e do protecionismo cambial nas economias avançadas, tem ocorrido um movimento de valorização de moedas locais nas economias emergentes.

Na avaliação da Fazenda, o forte ingresso financeiro intensificado a partir de setembro e reforçado pela capitalização da Petrobrás voltou a pressionar o real. Isso fez com que o Ministério da Fazenda voltasse a elevar o IOF sobre o mercado financeiro.

Superávit

O documento avalia que o superávit comercial brasileiro com os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) têm compensado o recente déficit na balança comercial com os Estados Unidos.

Segundo o documento, os EUA, que até há pouco tempo eram o principal parceiro comercial brasileiro, com resultados superavitários para o Brasil, passaram a vender mais do que a comprar do País, mas em contraposição o crescimento dos embarques para os membros do Bric anulou a perda ocorrida com o tradicional parceiro.

No acumulado de 12 meses até agosto deste ano, a balança comercial brasileira registra um déficit de US$ 6,2 bilhões com os EUA e um superávit de US$ 6,0 bilhões com o Bric. Com o total do mundo, o superávit no mesmo período foi de US$ 17,1 bilhões. 

Déficit

O Ministério da Fazenda divulgou nova estimativa para o déficit de conta corrente, em 2010, elevando a posição anterior de  US$ 45,9 bilhões para US$ 49,5 bilhões. No documento, o Ministério também revisou para cima a projeção de déficit para o próximo ano, de US$ 56 bilhões para US$ 58,8 bilhões.

Segundo o documento, diferentemente do passado, o déficit de transações correntes é passageiro e não deve comprometer a trajetória de crescimento da economia para os próximos anos. Para isso, o Ministério da Fazenda conta com a recuperação da economia mundial, o aumento do preço do minério de ferro e a melhoria da competitividade dos produtos brasileiros.

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