Governo vê menor espaço para térmicas a gás na matriz energética

O governo deu um recado às térmicas: ou elas diminuem os preços, buscando redução nos contratos de gás natural comprado da Petrobras, ou terão cada vez menos espaço na matriz energética do país.

CESAR BIANCONI, REUTERS

27 de agosto de 2009 | 17h10

No leilão de energia nova realizado nesta quinta-feira pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), apenas dois de 25 projetos habilitados venderam energia, a pequena central hidrelétrica Rio Bonito e a termelétrica Codora, movida a biomassa de cana-de-açúcar.

No total, foram negociados 11 megawatts médios com entrega a partir de 2012, ao preço médio de 144,50 reais por megawatt/hora (MWh). A energia total transacionada no leilão soma 1,58 GWh, com valor total de 228 milhões de reais.

As distribuidoras compradoras foram: Celg Distribuição, CPFL Paulista, CPFL Piratininga, Elektro, Eletroacre, ESDE, Manaus e RGE.

Entre os empreendimentos credenciados para o leilão, havia sete novas térmicas a gás natural.

"As térmicas a gás ficaram fora por causa do preço", disse a jornalistas o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Segundo a EPE, o preço inicial para a fonte térmica era de 146 reais o megawatt.

Também presente no leilão, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, celebrou o fato de o país não precisar "despachar uma única térmica no momento".

Hubner procurou demonstrar o lado positivo da crise econômica global para o setor elétrico. "O mercado industrial acalmou (o consumo de energia) e ganhamos fôlego para colocar os melhores projetos de geração em licitação", disse ele, referindo-se à queda na demanda de grandes clientes por energia entre o final de 2008 e o início deste ano.

"Estamos começando a disponibilizar projetos, a ter um estoque de projetos hídricos bons. Esperamos, no futuro, ter gás a um preço mais competitivo com o pré-sal, para ter térmicas com preços mais interessantes", acrescentou.

Conforme Tolmasquim, há sobra de 4.700 megawatts médios no sistema para 2014.

"Nós não estamos descartando (as térmicas a gás), mas elas têm que entrar nos leilões de maneira competitiva", disse o presidente da EPE, mencionando ainda o ônus ambiental dessa fonte energética.

USINA DE BELO MONTE

Tolmasquim disse que o leilão da usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA) e com 11 mil megawatts de potência, ocorrerá no final de outubro ou novembro.

"Estamos caminhando para ter dois consórcios (na disputa). Já foi dito explicitamente aos interessados que provavelmente não haverá leilão se não houver dois consórcios."

O presidente da EPE disse ainda que autoprodutores podem participar do leilão, entrando como sócios dos consórcio.

"A vantagem do autoprodutor é que ele ajuda a viabilizar mais consórcios, é um investidor a mais. O autoprodutor reclamava por ficar fora, porque tinha que comprar a energia no mercado livre depois, onde ela é mais cara", comentou.

A forma de presença da Eletrobrás em Belo Monte ainda não foi definida. A estatal poderá entrar na disputa por meio de suas controladas, com presença em diferentes consórcios, ou então se associar, via holding, ao consórcio vencedor depois da licitação.

(Edição de Stella Fontes)

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