Governo vê PAC como indutor de crescimento

Programa, porém, só investiu até agora 15% do total previsto para aos 4 anos de Dilma

Lu Aiko Otta, de O Estado de S. Paulo,

22 de novembro de 2011 | 23h00

O setor público brasileiro vai investir forte no ano que vem para fazer o crescimento da economia atingir a marca dos 5%, apesar da crise internacional. Esse foi o recado passado pelo governo nesta terça-feira, 22, durante o 2.º balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. "De novo, o PAC cumprirá um papel anticíclico", afirmou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Num quadro de incertezas, é papel do governo dar a sinalização ao setor privado, acrescentou o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

A ministra escalou o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, para falar sobre tudo o que a estatal terá de adquirir nos próximos anos, um volume sem comparação no mundo. "Abre-se um leque de opções gigantesco para os fornecedores brasileiros", afirmou ele. "Temos um pacote de compras que vai movimentar a indústria brasileira e garantir, a cada ano, mais de um milhão de postos de trabalho", afirmou. A Petrobrás tem investimentos inscritos no PAC que somam R$ 303,2 bilhões até 2014.

Com isso, o governo tenta se contrapor ao pessimismo que tomou conta do setor privado, que vem adiando planos de investimento. O clima negativo deverá ser reforçado com a divulgação do PIB no terceiro trimestre de 2011, que deverá ser próximo de zero. Nelson Barbosa repetiu que o governo poderá em breve rever para baixo a estimativa de crescimento deste ano.

Conforme antecipado pelo Estado, os dados do PAC apresentados ontem mostram que, na parte que cabe ao governo federal, o programa se concentrou em pagar os restos contratados no governo Lula.

Dos R$ 36,4 bilhões disponíveis no Orçamento de 2011 para o programa, só foram pagos até agora R$ 5,5 bilhões. No entanto, foram quitados de janeiro a meados de novembro R$ 16,1 bilhões dos chamados restos a pagar, que são despesas contratadas no governo anterior. Miriam insistiu, porém, que essas não são contas deixadas por Lula, pois as obras foram realizadas este ano.

O PAC tem também por investimentos privados, de empresas estatais e de Estados e municípios. Tudo somado, a execução atingiu R$ 143,6 bilhões até setembro, ou 15% do previsto para os quatro anos do governo Dilma. A ministra admitiu que, no que se refere aos investimentos do governo, inclusive os que não estão no PAC, houve uma redução este ano em comparação com 2010. "Eu reputo à mudança de governo", justificou. O valor investido pelos ministérios e pelas empresas estatais deverá atingir 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, ante 3,1% do PIB em 2010.

Transportes. Sacudido pelos escândalos de desvios de verbas, o Ministério dos Transportes passou um pente fino em seus contratos e revogou 18 licitações, das 50 que estavam em andamento. As demais foram suspensas, mas 15 delas serão retomadas ainda este ano. Com isso, informou o ministro Paulo Sérgio Passos, a execução das obras sofreu uma desaceleração transitória. O volume investido este ano chega a R$ 10,3 bilhões, ante R$ 12,8 bilhões no ano passado.

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