Governos da zona do euro planejam ampliar fundo de resgate para € 2 tri

Segundo a revista alemã Der Spiegel, fundo de resgate permanente poderia ser alavancado para fornecer mais segurança à Itália e Espanha 

Danielle Chaves, da Agência Estado ,

24 de setembro de 2012 | 09h49

Atualizado às 14h01

LONDRES - Os governos da zona do euro estão planejando aumentar o poder de fogo do fundo de resgate permanente do bloco, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês), para mais de 2 trilhões de euros (US$ 2,6 trilhões) usando alavancagem, com o objetivo de fornecer uma potencial rede de segurança para a Itália e a Espanha, afirmou a revista alemã Der Spiegel.

De acordo com os planos, os governos efetivamente vão ampliar os 500 bilhões de euros do ESM por meio do uso do fundo para comprar apenas os bônus mais arriscados emitidos pela Espanha, por exemplo, segundo a revista. Investidores privados poderão, então, entrar com o restante do dinheiro porque teriam de assumir apenas uma quantidade limitada de risco.

Os planos são baseados nas regras para o fundo de resgate temporário da zona do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), que fornece oportunidades similares para alavancagem, disse a revista.

No entanto, embora os planos sejam vistos de forma favorável pelo ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, um acordo rápido no Eurogrupo - o grupo de ministros de Finanças da zona do euro - foi bloqueado pela Finlândia. O governo finlandês está preocupado com o fato de os planos representarem uma grande transgressão do tratado do ESM e, por isso, precisam ser aprovados pelo Parlamento do país, segundo a Spiegel.

Ampliação

Olivier Bailly, porta-voz da Comissão Europeia, afirmou que ainda estão em andamento as discussões sobre se haverá ou não uma ampliação do fundo de resgate permanente da zona do euro por meio do uso de dois veículos de alavancagem criados pelos governos do bloco no ano passado.

Os dois veículos, que têm como objetivo atrair investidores oferecendo a eles a cobertura de uma parte das perdas no caso de uma reestruturação de dívida, foram acrescidos ao ESM no fim do ano passado para aumentar o poder de fogo do fundo. No entanto, na semana passada o Wall Street Journal afirmou que objeções da Finlândia bloquearam o acordo para transferir os dois veículos para o ESM a tempo de seu lançamento, em 8 de outubro.

"Nós estamos em uma fase de transição da EFSF para o ESM", afirmou Bailly. "Os países membros e nós mesmos estamos discutindo a possibilidade de usar os dois instrumentos financeiros que atualmente são atrelados à EFSF e ligá-los ao ESM. Essas discussões estão em andamento", disse.

Segundo Bailly, os países da zona do euro e a Comissão "estão checando ponto por ponto" o que pode ser transferido para o ESM, que até agora tem capacidade de empréstimos de 500 bilhões de euros.

Bailly também foi perguntado sobre comentários feitos por autoridades da França que colocaram em dúvida a meta de déficit orçamentário de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) que a União Europeia exigirá dos países membros em 2013. Segundo ele, a UE avalia as metas para cada país para ver se há "circunstâncias excepcionais" que permitam que países tenham mais espaço de manobra. "A Comissão não vê razão para mudar nossa atual abordagem quando se trata de política orçamentária da França", afirmou.

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