Graça Foster diz que Petrobrás precisará de mais tempo para divulgar o balanço

Graça Foster diz que Petrobrás precisará de mais tempo para divulgar o balanço

Segundo a presidente da companhia, as delações feitas na Operação Lava Jato no dia 8 de outubro 'revelaram uma série de informações que podem impactar os dados financeiros'

Fernanda Nunes, Antonio Pita, Mariana Durão, André Magnabosco, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 11h45

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, afirmou que a empresa precisará de mais tempo para divulgar o resultado financeiro do terceiro trimestre deste ano. Em teleconferência com analistas do mercado, Graça afirmou que o tempo será usado no ajuste das demonstrações contábeis, já que delações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff "revelaram uma série de informações que podem impactar os dados financeiros". Preocupada com a repercussão do caso, a estatal também resolveu criar um departamento de governança corporativa

Costa e Yousseff fizeram uma série de denúncias de casos de corrupção na Petrobrás em audiência na Justiça do Paraná, no dia 8 de outubro. Nas edições de jornais brasileiros deste domingo e desta segunda-feira, a Petrobrás publicou anúncios em que admitia o impacto da operação no resultado financeiro. 

Inicialmente, a estatal iria divulgar o balanço na última sexta-feira, 14. A auditoria PriceWaterhouseCoopers decidiu, porém, não assinar a demonstração contábil da Petrobrás até que a companhia concluísse as investigações internas abertas para apurar denúncias de corrupção, surgidas nos acordos de delação premiada da Operação Lava Jato. Em comunicado, a companhia informou que previa para o dia 12 de dezembro a divulgação do balanço. Na sexta-feira, porém, também afirmou que legalmente o anúncio poderia ocorrer até o dia 30.

Além de citar a necessidade de ter mais tempo para os ajustes contábeis, Graça ressaltou que a empresa precisará dar continuidade à investigação dos dois escritórios de advocacia independentes. 

O diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, informou que a companhia trabalha para concluir "com celeridade"  a divulgação dos dados contábeis não revisados, previstos para o dia 12 de dezembro. Segundo ele, nesse momento serão apresentada os resultados "da melhor forma possível" com as informações disponíveis sobre as denúncias da Operação Lava Jato.

"Essas demonstrações, ainda que não revisadas, refletirão da melhor forma possível a situação patrimonial da Petrobrás a luz dos fatos conhecidos", afirmou o diretor, durante a teleconferência de analistas realizada nesta manhã. "Essa divulgação não substitui o dever da companhia de divulgar dados contábeis revisados", completou.

Barbassa afirmou ainda que a companhia tem dado acesso a todas informações para escritórios independentes e auditores, dando prioridade "aos temas investigados na Operação Lava jato, aos administradores e executivos relacionados à prestação de contas e demonstrações contábeis".

Superfaturamento. Barbassa informou que casos de superfaturamento na construção ou aquisição de projetos, como unidades de refino, irão provocar ajustes no balanço financeiro da empresa. Haverá "ajuste a preço justo do imobilizado adquirido", afirmou Barbassa.

Segundo ele, se houve sobrepreço, esse valor será retirado do imobilizado e levado a resultado. "Os projetos não devem conter valores que não seja o justo para ele", disse Barbassa, complementando que serão retirados dos imobilizados qualquer "propina".

Segundo Graça Foster, para aferir a proporção do sobrepreço estão sendo consideradas as denúncias em juízo. "As referências são depoimentos, provas emprestadas, encaminhadas a Petrobrás pela Polícia Federal. Utilizaremos as provas para as baixas financeiras ano a ano", afirmou.

Governança. Em resposta às denúncias de corrupção da Operação Lava Jato, a Petrobrás quer criar uma diretoria de governança corporativa e compliance (área que verifica a conformidade das empresas às regras impostas por lei). 

De acordo com Graça Foster, a proposta foi apresentada ao conselho de administração na reunião da última sexta-feira, 14, e teve apoio unânime. "Queremos mais do que o reconhecimento técnico que conquistamos ao longo de décadas, queremos respeito à governança da nossa companhia, que é a Petrobrás", afirmou a executiva.

Com o sinal verde do conselho, a diretoria executiva se reuniu para tratar da concepção da proposta com a qual entende que serão mitigados riscos e assegurado o cumprimento de leis e regulamentos internos e externos: "Estamos imbuídos da certeza de que precisamos ter reconhecimento da nossa capacidade de governar", declarou Graça Foster.

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