Grande importador de trigo, Brasil sente alta no preço do pão

O preço do pãozinho no Brasil jásubiu em média cerca de 10 por cento no acumulado de 2008, eessa alta não dá sinais de se arrefecer nos próximos meses, comas padarias e moinhos repassando ao consumidor as cotaçõesrecordes da commodity no mercado internacional, disserampresidentes de associações do setor. O Brasil, que frequentemente figura como o maior importadormundial de trigo, enfrenta ainda uma dificuldade adicional, comseu tradicional fornecedor, a Argentina, adotando política derestrições de exportações. "Tem vários problemas: o preço internacional dascommodities, devido a condições climáticas e ao aumento deconsumo no mundo... O segundo problema é a nossa dependênciaabsoluta da Argentina...", disse à Reuters o presidente daAssociação Brasileira da Indústria da Panificação (Abip),Alexandre Pereira. O país importa aproximadamente 60 por cento de seu consumoanual, de 10 milhões de toneladas, sendo a maior parte daArgentina. "Esses fatores estão levando aos aumentos, e não háperspectiva de melhora no ano. As padarias estão repassando, jáhouve o repasse no Brasil em torno de 10 por cento no pãozinho(no acumulado do ano)", acrescentou Pereira. De acordo com o dirigente da Abip, a média do preço do pãooscilava em torno de 5,5 reais por quilo e hoje está em tornode 6 reais o quilo. Mas em algumas regiões do país o produto jávale até 8 reais por quilo. Pereira justificou a alta dizendo que, só este ano, aspadarias no Brasil notaram uma elevação de preço de 30 porcento na farinha de trigo. Enquanto o pão sobe no Brasil, na Argentina os negóciospara o mercado externo estão parados, porque o governo mantémsuspensas as emissões de licenças para exportação, aindaavaliando questões relacionadas à oferta interna, com oobjetivo de controlar a inflação. Na bolsa de Chicago, referência internacional, os preçosfuturos bateram recorde histórico recentemente. Pereira, dono do grupo Pão de Forno, com oito padarias emFortaleza (CE), disse que seguiu a tendência do mercado derepassar os preços. Segundo ele, o consumidor, embora nãoesteja satisfeito, está entendendo os motivos do aumento. "Para nós é muito ruim, porque quando aumentamos,automaticamente cai o consumo", observou. PROMESSA QUEBRADA Já o presidente do Conselho Deliberativo da AssociaçãoBrasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Luiz Martins,lametou o fato de os argentinos não terem cumprido a promessade reabrir as exportações para pelo menos 2 milhões detoneladas, o que leva as indústrias nacionais a já avaliaremcompras em regiões onde o preço é ainda mais elevado, comoEstados Unidos e Canadá. Na própria Argentina, lembrou Martins, alguns negóciosfeitos em fevereiro indicaram o preço do trigo a 400 dólarespor tonelada, mais que o dobro dos valores registrados no mesmomês do ano passado. "O trigo representa aos moinhos brasileiros cerca de 75 porcento do custo da farinha. Se o trigo subir, não tem condiçãode não subir o preço final da farinha." Em fevereiro do ano passado, os moinhos de São Paulovendiam a tonelada de farinha, em média, a 1.032 reais portonelada, contra 1.273 reais no mês passado. "O repasse não é total porque o mercado não permite,estamos com medo de diminuição de consumo, tenho concorrênciade arroz, de mandioca...", disse Martins. Com preços internacionais elevados, a expectativa daindústria é de um aumento de 25 por cento na área plantada doBrasil este ano, o que permitiria ao país colher 5 milhões detoneladas de trigo, contra 3,8 milhões em 2007.

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