Foto: Rafael Arbex / ESTADAO
Foto: Rafael Arbex / ESTADAO

Grandes consumidores de água da Grande São Paulo começam a receber medidores inteligentes

Sabesp vai instalar 100 mil equipamentos, criados a partir do conceito de internet das coisas, para evitar fraudes e desperdício; cliente acompanha consumo diariamente por celular e registro prescinde de leiturista

Guilherme Guerra, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2019 | 11h17

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) iniciará em 1º de outubro a implementação de hidrômetros inteligentes na Região Metropolitana do Estado. No total, serão instalados 100 mil medidores de água em estabelecimentos de clientes com consumo superior a 500 metros cúbicos, como shoppings, indústrias e grandes condomínios. A previsão é de que a instalação seja feita gradualmente ao longo do próximo ano. Cinco dispositivos já estão em operação em prédios da Universidade de São Paulo (USP).

Os hidrômetros inteligentes fazem parte do conceito de Internet das Coisas (Internet of Things, em inglês), que abrange objetos com conectividade, controlados por aplicativos do celular. Entre eles, estão relógios, fechaduras de portas, geladeiras e carros. Com esses novos medidores, cujas antenas são capazes de enviar para a nuvem os dados do uso de água, a Sabesp recebe com mais precisão e rapidez os detalhamentos do consumo, aumenta eficiência na aferição e reduz custos de operação.

“Essa ferramenta vai permitir sermos mais proativos e termos prontidão para resolver problemas, como fraudes e desperdício de água”, afirma  Marcello Veiga, superintendente de Planejamento e Desenvolvimento da Metropolitana da Sabesp. Atualmente, a aferição é feita por leituristas contratados que passam de casa em casa para averiguar o estado dos medidores analógicos. À medida que os novos dispositivos se popularizarem na rede de 4,7 milhões de clientes da Região Metropolitana, a Sabesp pretende reduzir o número de contratos desse tipo e investir na aferição à distância.

“É um caminho sem volta, os custos (dos medidores inteligentes) estão baixando muito”, diz. “A rede de dados é muito mais barata do que uma rede de frequência de rádio e isso fez com que a gente avaliasse o custo-benefício.”

No app

Para o cliente, o hidrômetro conectado permite ver o consumo de água diariamente por um aplicativo no celular, sem surpresas na conta do mês seguinte. Isso possibilita uma gestão mais consciente e monitorada tanto para o cliente quanto para a Sabesp, que consegue detectar inconsistências. “Em termos de produtivo, é muito mais assertivo e proativo para informar o cliente sobre o consumo e monitorar.”

Medidores inteligentes não são novidade no setor de energia elétrica. A multinacional italiana Enel, antiga Eletropaulo, anunciou no fim do ano passado iniciativa similar, com 1 milhão de aparelhos a serem instalados até 2021, em um investimento de 700 milhões de euros.

A consultora de energia elétrica da KPMG Franceli Jodas afirma que, na troca por aparelhos inteligentes, o grande empecilho costuma ser o investimento. “Por mais que isso seja repassado em uma revisão tarifária, a empresa não pode desembolsar essa substituição de uma vez só”, afirma. “Por isso fazem (primeiro) nos grandes consumidores”.

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Franceli diz que o setor de água é historicamente mais atrasado do que o elétrico, no qual privatizações, regulações e abertura do mercado já foram discutidos. Para ela, no entanto, o anúncio da Sabesp é importante para consolidar a empresa como uma das mais importantes companhias de saneamento do País.

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