Grãos: Mercosul é estratégico para o governo, diz Wedekin

Porto Alegre, 16 - No momento em que o setor agropecuário gaúcho reforça a pressão para restringir exportações de vários produtos do Uruguai e Argentina para o Brasil, o secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, ressaltou hoje que o Mercosul é um acordo estratégico para o governo. Ao participar do fórum "Trigo, Sim ou Não?", Wedekin disse que as questões relacionadas ao bloco não são triviais, lembrando que a Argentina pediu ao governo brasileiro a aplicação de salvaguardas para limitar a exportação dos produtos nacionais. Os dois parceiros acertaram que esta questão não entrará nas discussões da 27ª Reunião de Cúpula do Mercosul, que está sendo realizada em Ouro Preto (MG), disse Wedekin. Além dos triticultores, os produtores de arroz do Rio Grande do Sul pedem a restrição das importações do grão colhido no Uruguai e Argentina. Eles realizaram um protesto em Porto Alegre contra as importações. As duas culturas enfrentam queda de preços e têm em comum a dificuldade de negociar a produção com o mercado externo. Na última safra, as exportações representaram uma "válvula de escape" para o trigo gaúcho, lembrou Wedekin. Ele citou, durante o fórum, que o mundo irá produzir 2 bilhões de toneladas de grãos na safra 2004/05, num aumento de produção que elevará os estoques. "Estamos com um orçamento extremamente limitado para fazer esse programa de sustentação de preços", avaliou. Wedekin lembrou que a verba prevista para mecanismos de política agrícola em 2005 é de R$ 530 milhões, mas uma emenda do senador Jonas Pinheiro (PFL-MT) propõe aumentar este valor em R$ 2,085 bilhões. O trigo vive uma perspectiva contraditória, analisou Wedekin, já que as cotações na Bolsa de Kansas indicam alta do preço e a Bolsa de Buenos Aires aponta no sentido inverso. Como é o trigo argentino que chega ao mercado ao mesmo tempo que o produto brasileiro, é o que interfere no preço local. Ao comentar a possibilidade de redução da área cultivada na próxima safra em razão do cenário desfavorável ao produtor, o secretário ponderou que o plantio vai depender do mercado e das alternativas que o agricultor tiver no momento de tomar a decisão. Em sua palestra, Wedekin detalhou que a intenção do ministério é obter uma licença excepcional para que navios de bandeiras estrangeiras possam operar a navegação de cabotagem na costa brasileira por um período determinado de tempo. Isso facilitaria o escoamento do trigo da região sul para o norte e nordeste por meio do Prêmio de Escoamento de Produto (PEP). Wedekin disse que há o compromisso da indústria de trigo em retirar 300 mil toneladas da região sul por esse instrumento e 165 mil toneladas já foram negociadas. Os instrumentos de comercialização negociaram 26,6 mil toneladas de trigo em Aquisições do Governo Federal (AGFs), 165 mil toneladas em PEP e 648 mil toneladas em contratos de opção. O exercício dos contratos de opção será em janeiro, fevereiro e março para utilizar o orçamento de 2005, já que a verba disponível para este ano está esgotada, explicou Wedekin.

Agencia Estado,

16 de dezembro de 2004 | 17h59

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