Grécia está perto de fechar acordo com credores privados, diz ministro

Acordo faria com que cerca de  € 200 bilhões em títulos da Grécia detidos pelo setor privado pedessem metade de seu valor, ajudando o governo do país a economizar € 5 bilhões por ano

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

20 de dezembro de 2011 | 14h38

ATENAS - A Grécia está perto de fechar um acordo com seus credores do setor privado para reestruturar as dívidas do país, afirmou o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos. "Estamos perto de um acordo, creio, porque tenho conhecimento das negociações e eu acho que ele pode ser feito", afirmou a autoridade durante um encontro com empresários e representantes trabalhistas nesta terça-feira, 20.

No final de outubro, os países da zona do euro exigiram que a Grécia negociasse uma redução de 50% na dívida do país detida por credores privados como condição para que os gregos recebessem mais auxílio financeiro. A participação dos credores, porém, precisa ser voluntária para evitar que o haircut seja considerado um default.

Se houve acordo, cerca de € 200 bilhões em títulos da Grécia detidos pelo setor privado vão perder metade de seu valor, o que ajudaria o governo grego a economizar € 5 bilhões por ano com encargos da dívida.

Venizelos também disse que as negociações sobre a liberação do segundo pacote de ajuda financeira à Grécia, de € 130 bilhões, seriam retomadas em 16 de janeiro, quando representantes da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) voltarão a Atenas para discutir os detalhes do programa. O ministro ressaltou que o país precisa acelerar as reformas estruturais, que incluem modificações nas regras tributárias e a adoção de medidas para diminuir a evasão fiscal.

Segundo estimativas, os cidadãos gregos possuem cerca de € 200 bilhões em bancos suíços e boa parte desse dinheiro pode ser resultado de evasão fiscal por parte da camada mais rica da população. A Grécia prometeu reformar o sistema tributário e pretende fechar um acordo com as autoridades da Suíça para cobrar impostos dos gregos que depositam dinheiro no país.

Mercado de bônus

A Grécia conseguirá sair da crise econômica e retornará ao mercado de bônus soberanos em cinco anos se as reformas estruturais e a reestruturação da dívida do país forem implementadas rapidamente, afirmou o ministro de Desenvolvimento e Competitividade do país, Michalis Chrysohoidis.

"Nossos parceiros da Europa dizem 10 anos. Eu acredito que se implementarmos rapidamente as reformas estruturais e resolvermos parcialmente nosso problema de liquidez, precisaremos de cinco anos", afirmou a autoridade. "Temos um plano para abrir novamente os mercados para a Grécia e vender títulos do governo em cinco anos. Eu acredito nisso", acrescentou.

Os receios com a possibilidade de a Grécia não pagar suas dívidas praticamente bloquearam o acesso dos bancos do país ao mercado interbancário, tornando-os dependentes do Banco Central Europeu (BCE) e do banco central grego para obter financiamento. Chrysohoidis disse que os planos para reduzir a dívida da Grécia vão remover boa parte da incerteza e permitir que os bancos voltem ao mercado interbancário.

"A Grécia é capaz de sair da crise logo, mas sob a condição de que sejamos capazes de resolver nosso problema de financiamento, de liquidez", disse Chrysohoidis. "Se não chegarmos a uma solução para o encargo da dívida, o problema da falta de liquidez vai continuar. Se não resolvermos o problema da organização da dívida, o haircut, nossos bancos continuarão na mesma situação - na realidade, fechados", acrescentou.

As informações são da Dow Jones.

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