Grécia está um passo de ser incapaz de tomar empréstimo, diz Papandreou

Primeiro-ministro fez um apelo aos sindicatos do país para que apoiem o governo

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

19 de março de 2010 | 16h51

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, alertou que o país está a um passo de se tornar incapaz de tomar empréstimos nos mercados internacionais e fez um apelo aos sindicatos do país para que apoiem o governo.

 

Em uma entrevista coletiva organizada pela central de sindicatos do setor privado, GSEE, Papandreou defendeu as recentes medidas de austeridade do governo que atiçaram a ira dos poderosos sindicatos da Grécia.

 

"Tomamos as decisões mais difíceis que qualquer governo já tomou neste país", disse Papandreou. "Temos falado a todos os gregos com a mais completa sinceridade sobre o estágio em que nos encontramos agora: a um passo de nos tornarmos incapazes de tomar empréstimos".

 

Os comentários do primeiro-ministro ocorrem em meio a um arriscado jogo de malabarismo entre a Grécia e seus parceiros europeus, enquanto eles brigam sobre um potencial pacote de socorro para o país.

 

Nos próximos dois meses, a Grécia terá ao redor de 22 bilhões de euros em amortizações da dívida, mas até agora levantou apenas ao redor de 18 bilhões de euros, em um momento que paga uma taxa de juro de mais de 3 pontos porcentuais acima dos bônus do governo da Alemanha, considerados o benchmark da Europa.

 

Na próxima semana, os líderes europeus vão se reunir em Bruxelas para discutir um pacote de ajuda para a Grécia, mas Atenas tem sinalizado que se nada for apresentado poderá buscar apoio do FMI.

 

Em seu discurso, Papandreou disse que a Grécia não pode continuar a tomar empréstimos a juros de "agiotagem", acrescentando que o governo está determinado em não perder o acesso aos mercados internacionais. "Com nossas decisões, embora dolorosas, embora difíceis, isso é exatamente o que queremos evitar. Evitar pagar, por décadas no futuro, taxas de juro de agiotas que condenem o país a uma profunda e duradoura recessão", disse.

 

O discurso de Papandreou foi feito na 34ª Conferência Geral da GSEE, convocada para eleger um novo líder do forte sindicato que reúne 800 mil membros e é visto como um importante eleitorado para o governo do Partido Socialista.

 

Contudo, o sindicato promoveu uma greve geral nacional este mês em protesto ao recente pacote do governo de 4,8 bilhões de euros, que incluiu aumento nos impostos e cortes de gastos. Outra greve pode ser convocada nas próximas semanas em oposição as reformas no sistema de aposentadoria, que são esperadas para início de abril. As informações são da Dow Jones.

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