Grécia pretende aprofundar austeridade para cumprir acordo UE e FMI

Dois funcionários que não quiseram se identificar, afirmaram que o pacote será apresentado ao Parlamento grego em novembro

Ligia Sanchez, da Agência Estado,

20 de agosto de 2010 | 11h55

O governo da Grécia prepara uma série de novos aumentos de impostos e cortes de gastos para cumprir as metas do déficit de 2011 estabelecidas pelo Fundo Monetário Internacional e União Europeia.

 

Dois funcionários do alto escalão do governo, falando em condição de anonimato, afirmaram que o pacote será apresentado ao Parlamento grego em novembro. Como parte do acordo para o acesso aos € 110 bilhões do FMI e da UE formado em maio, o governo grego concordou em levantar mais € 9,1 bilhões no próximo ano. Cerca de € 2,5 bilhões serão obtidos com medidas já impostas este ano; o governo pretende gerar outros € 5 bilhões com novos impostos e o restante com outros cortes de gastos que não foram especificados.

"A receita extra é imperativa se quisermos cortar nosso déficit do orçamento para 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, como prometemos", afirmou um funcionário que tem conhecimento dos planos que estão sendo delineados pelo governo. Atualmente, o déficit orçamentário da Grécia está em 13,6% do PIB, mais de quatro vezes o limite da UE de 3%. O governo já anunciou medidas de austeridade como aumentos de impostos e cortes em aposentadorias e salários do setor público. As impopulares decisões levaram a Grécia a mais recessão e o desemprego a 12%. Medidas de mais aumento de receitas e cortes de gastos públicos podem aprofundar e prolongar a recessão.

Os funcionários dizem que os planos até agora propõem impostos de valor agregado mais altos em certos bens e serviços do varejo, como entretenimento, hotéis e restaurantes. Os impostos ambientais ou "verdes" podem ser cobrados na forma de taxas mais altas no registro de automóveis, proporcional ao tamanho do motor e às emissões.

Estes funcionários afirmaram que o governo também considera aumentar as chamadas avaliações objetivas de imóveis, que são valores estabelecidos pelo governo sobre propriedades, já que muitos compradores declaram quantias mais baixas para reduzir impostos. Há também a possibilidade de um imposto extraordinário sobre companhias altamente lucrativas, além de possibilidade de obtenção de receita extra com novas licenças de jogos de azar, tarifação sobre aluguel de carros e mais impostos sobre produtos de luxo, segundo as fontes.

O congelamento de aposentadorias e salários pode se estender no próximo ano, pensões altas podem ser cortadas e há planos para substituir apenas 20% dos funcionários do setor público que estão se aposentando.

O governo espera que as medidas sejam convincentes para investidores e que resultem em custos menores para a tomada de empréstimos. "Estamos nos concentrando nas medidas acordadas com o FMI e a UE e esperamos que nossos esforços sejam reconhecidos pelos mercados e os spreads comecem a diminuir a partir deste ano", afirmou um dos funcionários. "Em 2011 temos de emitir pouco menos de € 5 bilhões em dívidas de longo prazo. Este será o grande teste", acrescentou.

Desde que o pacote de resgate foi assinado em maio, a Grécia retornou aos mercados de bônus apenas uma vez, com um leilão de títulos do tesouro de 13 e 26 semanas, realizado em julho, como parte de sua rolagem trimestral de notas, mas decidiu contra a emissão de notas de 52 semanas. "Admito que será um grande esforço para convencer os mercados de que sairemos desta crise ilesos. Estamos fazendo tudo o que podemos", afirmou o funcionário. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
GréciaFMIUnião Europeia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.