Grécia recebe aprovação para desembolso de € 49 bilhões, diz Juncker

Segundo o presidente do Eurogrupo, os credores da Grécia estão dispostos a tomar mais medidas para ajudar o país, que caminha para seu sexto ano consecutivo de recessão 

Sergio Caldas e Stefânia Akel, da Agência Estado,

13 de dezembro de 2012 | 10h50

BRUXELAS - O presidente do grupo de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), Jean-Claude Juncker, anunciou hoje a aprovação final para o desembolso de uma tranche de 49,1 bilhões de euros à Grécia, como parte do segundo pacote de resgate de Atenas, após reunião realizada mais cedo.

Juncker disse que os credores da Grécia estão dispostos a tomar mais medidas para ajudar o país, que caminha para seu sexto ano consecutivo de recessão. O Fundo Monetário Internacional (FMI) continuará participando do auxílio à Grécia, ao lado da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, afirmou ele.

Segundo Juncker, o programa de ajuda grego voltou aos trilhos e a "Grécia e outros países membros da zona do euro estão dispostos a adotar medidas adicionais, se necessário, para garantir este objetivo."

O Eurogrupo e representantes do Banco Central Europeu e FMI aprovaram o desembolso de 34,3 bilhões de euros ainda este mês. Os recursos, que a Grécia vinha esperando desde junho, serão usados principalmente para recapitalizar o fragilizado setor bancário do país.

O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da Comissão Europeia, Olli Rehn, disse que uma das medidas extras pode ser a redução da contribuição financeira da Grécia para poder sacar recursos da UE. Rehn calcula que apenas esta medida pode significar uma economia para Atenas de 5 bilhões de euros, o que ajudará o país a reduzir sua dívida total a 124% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

Juncker, que também é primeiro-ministro de Luxemburgo, disse ainda que a Grécia terá de cumprir uma série de condições rígidas, como reformar seu sistema tributário e implementar reformas atrasadas, para garantir o recebimento dos 14,8 bilhões de euros restantes no primeiro trimestre do ano que vem.

Juncker afirmou também que a situação do Chipre, que ele descreveu como "séria", também foi abordada na reunião de hoje e que a pequena ilha deverá receber um pacote de ajuda. Há cinco meses, Nicósia vem negociando com a zona do euro e o FMI para obter ajuda para seus bancos e finanças públicas, mas não há expectativa de que um entendimento seja alcançado antes da segunda quinzena de janeiro.

Parcelas

A ajuda financeira à Grécia no valor de 49,1 bilhões de euros será dividida em parcelas, com a primeira sendo de quase 40 bilhões de euros, disse o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble.

Segundo ele, as parcelas seguintes serão menores e estão previstas para depois. Ele frisou que as últimas parcelas serão condicionadas à implementação de reformas pelo governo grego, principalmente a melhora da coleta de impostos.

Schäuble afirmou também que a Grécia não precisará de um resgate maior por ter ultrapassado os custos de seu programa de recompra de bônus. Ele informou que os credores gregos vão reduzir o financiamento para a recapitalização dos bancos do país e adiantarão outros pagamentos para manter o resgate financeiro em seu nível atual.

"Os ativos dos bancos gregos foram significativamente reduzidos por suas participações na recompra, então a necessidade de recapitalização ficou menor", disse. As informações são da Dow Jones.

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