Grécia tem greve geral de 2 dias, antes de voto no Parlamento amanhã

É a segunda vez no ano que as centrais convocam uma paralisação de dois dias contra as medidas de austeridade 

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

19 de outubro de 2011 | 08h30

A Grécia estava paralisada nesta quarta-feira por uma greve geral que deve durar 48 horas. Várias categorias, de funcionários públicos a farmacêuticos e bancários, cruzaram os braços antes da importante votação sobre novas medidas de austeridade no Parlamento, marcada para a quinta-feira.

Mais de 120 mil manifestantes marcharam nesta quarta-feira na Grécia, segundo a polícia, na maior onda de protestos já registrada contra as medidas de austeridade do governo. A polícia entrou em confronto com manifestantes nas proximidades do Parlamento, lançando gás lacrimogêneo, enquanto os manifestantes jogavam coquetéis molotov, segundo um repórter da France Presse.

Cerca de 200 jovens atacaram uma barricada de aço erguida perto do prédio do Parlamento. A polícia já contabilizou mais de 125 mil pessoas envolvidas no protesto, um dia antes de o Parlamento votar novas medidas de austeridade propostas pelo governo.

A maioria dos protestos ocorre em Atenas, com 70 mil pessoas na região da Praça Syntagma, onde fica o Parlamento. Há também grandes manifestações em Tessalonica, Patras e Heraklion, disse a polícia.

Autoridades em Atenas fizeram um cordão de isolamento em frente ao Parlamento. Além disso, duas estações de metrô próximas ao local dos protestos foram fechadas.

Quatro jovens foram presos no início do protesto, segundo a polícia. Segundo reportagens, eles estariam com coquetéis molotov. Cerca de 3 mil policiais faziam a segurança na capital, com forças adicionais de prontidão guardando possíveis alvos, como embaixadas e prédios do governo.

Paralisações

Os serviços públicos estavam paralisados por todo o país, com escritórios dos governos central e locais fechados. Escolas e tribunais estavam parados, e os hospitais operavam em esquema de plantão.

Os serviços de transportes eram prejudicados pela suspensão na operação de ferries. Os serviços nacionais ferroviários também estavam parados, e as duas grandes companhias aéreas gregas - Olympic Air e Aegean Airlines - cancelaram dezenas de voos, por causa de uma paralisação de 12 horas dos controladores de tráfego aéreo.

Dezenas de milhares de varejistas e pequenos negócios aderiram ao protesto, fechando suas lojas contra as recentes medidas do governo para elevar impostos e cortar gastos, que pioraram a recessão no país e levaram ao aumento no número de falências.

A greve de 48 horas é convocada pelas centrais sindicais GSEE, do setor privado, e ADEDY, do público. É a segunda vez no ano que as centrais convocam uma paralisação de dois dias contra as medidas de austeridade. Nas últimas semanas ocorrem greves quase diariamente no país, com várias manifestações, entre elas um protesto de duas semanas de servidores municipais que deixou toneladas de lixo pelas ruas de Atenas e outras cidades.

"Nós chegamos a nosso limite de resistência e, o que é pior, não há um vestígio de esperança", afirmou Stathis Anestis, porta-voz da GSEE. "Queremos enviar a mensagem de que essas políticas de austeridade têm sido uma catástrofe para a Grécia."

Pressionado por seus credores internacionais, o governo da Grécia enviou este mês ao Legislativo medidas para cortar empregos e salários do setor público, reduzir as pensões mais altas, acabar com direitos coletivos de algumas categorias e impor novos impostos aos contribuintes, entre outras.

N quinta-feira, o Parlamento votará as medidas, dias antes de uma visita no domingo de líderes europeus que devem trabalhar em uma solução abrangente para a crise da dívida do bloco. O grupo deve também decidir se libera mais uma parcela de ajuda para a Grécia. O país necessita receber a próxima parcela de 8 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) nas próximas semanas, ou o governo de Atenas disse que ficará sem fundos em meados de novembro.

As medidas de austeridade causam divisão no próprio Partido Socialista, que viu sua popularidade ser arrastada a baixas históricas. A votação deve testar o comando do governo sobre sua base, com os socialistas tendo uma maioria estreita de quatro deputados no Parlamento de 300 membros.

Temendo a violência, a polícia reforçou a segurança nesta quarta-feira, inclusive no entorno do Parlamento, onde ocorre um debate pelo segundo dia das medidas de austeridade. "As coisas chegaram a um ponto muito difícil e há um sentimento de raiva entre o povo", disse Ilias Iliopoulos, secretário-geral da ADEDY. "Nosso objetivo é reverter essas políticas de austeridade e impedir que a legislação seja aprovada."

Portugal

As confederações sindicais de Portugal marcaram hoje uma greve geral para o dia 24 de novembro, exatamente um ano após o último protesto do tipo. A paralisação é marcada no momento em que o país começa a tomar as medidas de austeridade mais duras em décadas.

O governo afirma estar otimista de que Portugal não sofra com as medidas de austeridade da mesma maneira que a Grécia, porém há crescentes sinais de descontentamento. Os trabalhadores do setor de transportes planejam uma greve separada no mês que vem, enquanto os militares ameaçam protestar contra cortes no orçamento.

O presidente do país, Aníbal Cavaco Silva, advertiu em um discurso na quarta-feira que há um crescente sentimento entre os portugueses de que os esforços de austeridade não são distribuídos de maneira igualitária, o que poderia ameaçar o esforço pela recuperação econômica.

 As informações são da Dow Jones.
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