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Greve, dólar caro e petróleo em alta frustram planos de retomada de aéreas

Só a paralisação dos caminhoneiros resultou no cancelamento de 430 voos e num prejuízo estimado em pelo menos R$ 135 milhões; após três anos de desempenho fraco, empresas, que apostavam em crescimento em 2018, estudam rever metas

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2018 | 04h00

O ano de 2018 começou prometendo ser o da retomada do setor aéreo. Após três anos de desempenho pífio, as companhias projetavam uma consolidação da demanda e, consequentemente, de seus resultados financeiros. A greve dos caminhoneiros, a debilidade da atividade econômica e as altas do petróleo e do dólar, porém, frustraram as expectativas das empresas, que já consideram a possibilidade de rever suas metas.

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Só a greve resultou no cancelamento de 430 voos e num prejuízo estimado em pelo menos R$ 135 milhões para as companhias – a Avianca não divulgou números de perdas financeiras. A Azul e a Latam, que concentram grande parte de seus voos nos aeroportos do Nordeste e do Centro-Oeste, foram as mais prejudicadas pela paralisação dos motoristas de caminhão, e terão, cada uma, um impacto negativo de cerca de R$ 50 milhões em seus balanços.

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“A greve foi uma bomba”, disse o presidente da Latam no Brasil, Jerome Cadier. “O prejuízo é difícil de calcular. Conseguimos contabilizar quanto de combustível a mais um avião teve de carregar, mas quanto deixamos de vender é quase incalculável”, acrescentou.

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Tanto a Latam como a Avianca registraram um recuo de 20% a 30% nas vendas durante a paralisação e, segundo seus executivos, elas ainda não voltaram ao patamar anterior. “Antes da greve, o aumento da demanda não era muito forte, mas vinha constante”, disse Frederico Pedreira, presidente da Avianca.

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Se do lado da demanda, o movimento dos caminhoneiros degringolou o desempenho do setor, do lado das despesas, petróleo e dólar pressionam ainda mais a situação – 60% dos custos das companhias são na moeda americana. A Avianca, por exemplo, havia feito seu planejamento anual considerando que o dólar ficaria, em média, em R$3,30 no ano. Agora, já considera R$ 3,50. “Estávamos crescendo 12% (em demanda) na comparação com 2017. Se vamos conseguir manter isso, vai depender da situação do dólar”, disse Pedreira.

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O presidente da Azul, John Rodgerson, admite que a alta dos custos deverá ser repassada ao consumidor, e uma passagem mais cara significa menos demanda. Para este ano, a empresa previa um aumento na oferta de assentos em voos de 17% a 20% na comparação com 2017. Agora, aposta que esse número ficará “mais perto de 17%”. “Há quatro meses, achávamos que o ano seria incrível. A receita e a demanda ainda são maiores que no ano passado, mas o cenário mudou”, disse Rodgerson.

Cadier, da Latam, afirma que a empresa ainda “não tomou” a decisão de crescer menos neste ano, mas destaca que a demanda vai cair naturalmente conforme a pressão dos custos for repassada ao cliente. “Estou menos otimista. A chance de rever o plano de crescimento aumentou muito depois da greve.” O executivo lembra que o setor aéreo costuma crescer de duas a três vezes o valor do Produto Interno Bruto (PIB). No começo do ano, com os economistas apostando em uma alta de 3% no PIB, as estimativas para o setor chegavam a 9%. Agora, no entanto, caem para 5,3%, na melhor das hipóteses.

O especialista no setor aéreo André Castellini, sócio da consultoria Bain & Company, diz que o cenário é de tempestade perfeita para as empresas, apesar de ainda haver um movimento no segmento corporativo impulsionando a demanda.

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