Greve dos caminhoneiros deve afetar supermercados no RJ

Pode haver problema de abastecimento, pois 80% dos alimentos consumidos pela população fluminense vêm de outros Estados, segundo a Asserj

Mônica Ciarelli e Glauber Gonçalves, da Agência Estado,

31 de julho de 2012 | 13h56

RIO - A greve dos caminhoneiros deve começar a afetar o abastecimento dos supermercados do Rio de Janeiro a partir de amanhã. A previsão é do presidente da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Aylton Fornari. A situação, segundo ele, é mais grave na região porque 80% dos alimentos consumidos pela população vem de outros estados. "Estamos muito preocupados. O governo tem que agir logo. Esse é um problema sério. Se isso não se resolver hoje, a partir de amanhã começa a ter problemas no Rio de Janeiro", afirmou.

O movimento grevista foi iniciado na quarta-feira passada para contestar as novas regras de descanso nas jornadas.

Fornani explica que o abastecimento deve atingir menos os hortigranjeiros. O cálculo é que metade dessa produção venha da região serrana do Rio, ainda não afetada pela greve. No entanto, o presidente da Asserj alerta que, se os caminhões na serra também aderirem às manifestações, o problema vai tomar proporções ainda maiores. Menos após o fim da greve, ele revela que o abastecimento tende a levar de 3 a 4 dias para se normalizar. "Os caminhões começam a chegar ao mesmo tempo e os supermercados têm dificuldades para conseguir conferir e distribuir todas as mercadorias", disse.

Já sobre preços, Fornari alega ainda não ter sentido nenhum impacto da greve, mas admite que se os fornecedores tiverem muitos prejuízos, eles devem acabar repassando para os preços e isso vai acabar na conta do consumidor.

O presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio (Fetranscarga), Eduardo Rebuzzi, que até ontem considerava prematuro se falar em desabastecimento, afirmou hoje que a continuidade da manifestação começa a causar o problema. Mas alerta para a possibilidade o problema virar motivo para especulação em cima dos preços dos alimentos. "Aí vem a especulação também. Os aproveitadores enxergam uma situação para obter ganho".

Rebuzzi condenou a forma como a manifestação está sendo conduzida e cobrou uma resposta das autoridades. "Infelizmente a autoridade pública não está sendo exercida. Não se pode admitir que as pessoas queiram passar e sejam ameaçadas com facão na rodovia", criticou.

As manifestações de caminhoneiros na Via Dutra causaram congestionamentos nos dois sentidos da rodovia hoje pela manhã. Na pista São Paulo-Rio, houve lentidão em três trechos, num total de quase 20 quilômetros, de acordo com boletim divulgado às 10h pela concessionária CCR Nova Dutra. Quem se desloca da capital fluminense em direção a São Paulo encontrou engarrafamentos em dois pontos, somando 12 quilômetros.

Segundo a concessionária, há caminhões estacionados no acostamento e na faixa direita da rodovia; a faixa esquerda está liberada para passagem de carros de passeio, ônibus e veículos de emergência.

A manifestação atrapalhou as chegadas de ônibus vindos de São Paulo ao Rio. De acordo com a rodoviária Novo Rio, ontem pela manhã os atrasos chegaram a oito horas, mas diminuíram para quatro à tarde. A Viação 1001, uma das empresas que opera no trecho, informou que os atrasos na linha foram de aproximadamente duas horas, em média. Ainda não há informações disponíveis sobre o movimento no terminal hoje.

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