Greve faz Petrobras acionar outro plano de contingência

Paralisação nacional começa ao mesmo tempo em que a greve do Sindipetro-NF entra no seu 4º dia

DENISE LUNA, REUTERS

17 de julho de 2008 | 11h58

A Petrobras informou que a greve de 48 horas da Federação Única dos Petroleiros (Fup), iniciada nesta quinta-feira, 17, não está afetando a produção nem o refino da companhia, já que um plano de contingência acionado na noite de quarta-feira está garantindo o funcionamento normal das unidades. A Fup anunciou na terça-feira que iria promover uma greve de dois dias antes de um movimento maior que está sendo programado para o dia 5 de agosto, e previsto para durar cinco dias e reduzir a produção de petróleo e gás natural da Petrobras.  A greve de 48 horas da Fup acontece ao mesmo tempo em que o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense entram no quarto dia de uma frustrada tentativa de paralisação da produção na bacia de Campos, produtora de 80% dos 1,8 milhão de barris diários da estatal. "Está tudo normal, os empregados da Petrobras sabem que não é possível nem seguro desligar uma refinaria", disse um assessor da Petrobras, sem dar detalhes sobre o plano. De acordo com a assessoria da Fup, algumas unidades deixaram de fazer a troca de turno, como as refinarias de Manaus e Minas Gerais, e o Terminal de Cabiúnas, no Estado do Rio de Janeiro, que recebe gás natural e petróleo da bacia de Campos, maior região petrolífera brasileira. "Os trabalhadores que sairiam às 15 horas de ontem (quarta-feira) continuam lá dentro", disse a assessora da Fup. Em outros locais como a Refinaria de Paulínia, em Campinas (SP), a maior do País, também houve corte de rendição, ou seja, quem iria sair à meia-noite não deixou o local de trabalho, segundo a assessora da Fup. O mesmo ocorreu em uma unidade de produção em terra, na Bahia, e no terminal de Barueri, em São Paulo. "A fábrica de fertilizantes da Bahia (Fefen) também vai cortar a rendição amanhã (sexta-feira)", disse a assessora. Outras importantes refinarias como a do Rio de Janeiro, em Duque de Caxias (Reduc), na Bahia (Relam), São Paulo (Recap), e no Paraná (Repar), o terminal de São Caetano, em São Paulo, e algumas áreas de produção no Espírito Santo estão atrasando os turnos e não emitindo permissões de trabalho, "que é o mesmo do que não estar trabalhando", explicou. "A greve continua e vamos fazer um ato hoje (quinta-feira) na sede da Petrobras em São Paulo", afirmou a assessora. Ela informou ainda que as assembléias necessárias para aprovação do indicativo de greve de cinco dias da Fup estão sendo antecipadas em alguns Estados, e que a tendência é de que a parada seja aprovada. "O objetivo desta greve de 48h não é parar a produção, mas a greve maior na próxima semana tem esse objetivo", disse a assessora. Apenas na segunda-feira, primeiro dia da greve do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, o movimento conseguiu reduzir em 136 mil barris da produção da companhia, mas que foi praticamente normalizada no mesmo dia e agora opera com cem por cento da sua capacidade, de cerca de 1,5 milhão de barris diários. Os petroleiros da bacia de Campos querem que a empresa considere o dia do desembarque das plataformas como dia de trabalho, e não de folga como hoje. Já a Fup luta pela maior participação nos lucros da Petrobras. Na quarta-feira, uma reunião entre os petroleiros e a Petrobras não teve avanço, e a greve foi mantida até sexta-feira. As paralisações ocorrem próximas à negociação do dissídio da categoria, em setembro.

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIAPETROBRASFUP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.