Greve faz Petrobras acionar plano de contingência

A greve dos petroleiros da Petrobras obrigou a estatal a acionar o seu plano de contingência para garantir a produção e o abastecimento de derivados de petróleo e gás natural no país, a exemplo do que ocorreu na greve do ano passado.

DENISE LUNA, REUTERS

23 de março de 2009 | 19h46

Iniciada na noite de domingo, a greve dos petroleiros tem previsão de durar cinco dias e objetivo de aumentar a participação dos funcionários nos lucros da companhia, além de evitar demissões nas empresas que prestam serviços à Petrobras, que estariam sendo afetadas pela crise financeira global.

No início da manhã, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a plataforma P-34, instalada no campo de Jubarte, na bacia de Campos, chegou a ter a produção de cerca de 60 mil barris diários paralisada.

"Parou a produção da P-34, que é uma plataforma emblemática por ser a primeira do pré-sal", afirmou o coordenador da FUP, João Antônio Moraes, à Reuters.

A P-34 extraiu o primeiro óleo da região pré-sal do país, uma faixa de 800 quilômetros que vai do Espírito Santo a Santa Catarina e possui reservas gigantes de petróleo e gás que podem colocar o Brasil entre os principais produtores.

Segundo a Petrobras, a plataforma P-34 não ficou parada em nenhum momento e está operando normalmente. Mesmo assim, o plano de contingência foi acionado na unidade para substituir funcionários que aderiram ao movimento.

Outras unidades também foram afetadas, de acordo com a FUP, como terminais da empresa que bombeiam combustíveis para os clientes, campos produtores do Nordeste e refinarias.

"Os trabalhadores dos terminais de Solimões, no Amazonas, de Suape, em Pernambuco, de Cabiúnas, em Macaé, e de Guarulhos, em São Paulo, assumiram o controle operacional das unidades e estão controlando o bombeio. Nas plataformas do Rio Grande do Norte, os petroleiros também controlam 70 por cento da produção de petróleo e gás", afirmou a FUP em nota.

Segundo a FUP, os grevistas assumiram a operação dos terminais e controlavam o envio de combustível, inclusive para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. A entidade afastou no entanto qualquer risco de falta de combustível para os aviões.

"Em Guarulhos estamos monitorando e tem estoque para abastecer os aviões por três dias", disse Moraes.

A Petrobras não confirmou todas as informações da entidade, mas disse que acionou o plano de contingência em algumas unidades, sem especificar quais.

"Todas as unidades da companhia funcionam normalmente, a produção e segurança das operações e dos empregados não foram afetadas pelo movimento", informou a Petrobras em nota.

Mais tarde, a Petrobras divulgou outro comunicado, com um balanço da greve.

A empresa informou que 12 das 40 plataformas da bacia de Campos aderiram ao movimento grevista, mas que não houve interrupção na produção em nenhuma delas, nem mesmo na P-34.

A Petrobras disse ainda que em 25 dos 47 terminais de bombeamento de combustível houve adesão à greve, mas que a produção foi escoada e entregue.

"Nas 11 refinarias a produção de derivados não foi afetada. Algumas delas aderiram parcialmente à greve e operam com equipes próprias ou com equipes de contingência. As quatro unidades industriais (incluindo a Unidade de Produção de Xisto, Fábricas de Fertilizantes e Lubrificantes) não tiveram sua produção afetada", informou a companhia.

AÇÕES NÃO SOFRERAM

A empresa se disse aberta a negociações com os grevistas mas afirmou que nenhuma reunião foi agendada.

A greve não afetou o desempenho das ações da Petrobras, que puderam aproveitar mais um dia de alta na cotação do preço do petróleo e o movimento geral positivo dos mercados. Os papéis preferenciais da companhia fecharam com forte alta de 6 por cento, enquanto o Ibovespa subiu 5,9 por cento.

Para a analista Mônica Araújo, da corretora Ativa, no momento a greve não está tendo um impacto, mas o quadro pode mudar.

"Tudo vai depender do tempo de duração da greve, por enquanto não preocupa, mas se demorar muito e atingir produção vai preocupar", disse à Reuters.

No ano passado os petroleiros realizaram greve de cinco dias em julho e conseguiram reduzir a produção em 136 mil barris no primeiro dia de greve. A empresa, a exemplo deste ano, implantou imediatamente um plano de contingência e normalizou a produção.

"A Petrobras este ano estava mais preparada para a greve, mas temos que esperar para ver o tempo que vai durar o movimento", avaliou Mônica.

(Reportagem adicional de Marcelo Teixeira)

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