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Greve na Petrobrás é intensificada e atinge a Bacia de Campos

Em vez de pedir reajuste salarial e ganhos trabalhistas, a principal pauta de reivindicação dos petroleiros é o fim do plano de venda de ativos da Petrobrás

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2015 | 13h35

RIO - A greve na Petrobrás ganha proporção a partir da tade deste domingo, 1º de novembro, quando sindicatos integrantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) começam a desacelerar a operação nas principais unidades da empresa. Na Bacia de Campos, que responde por 80% da produção de petróleo e gás natural no País, o movimento será iniciado às 19h. As demais unidades entrarão em greve, aos poucos, a partir das 15h. Não há perspectiva de parar a produção a ponto de provocar desabastecimento de combustíveis, informou a FUP.

Agora, em vez de pedir reajuste salarial e ganhos trabalhistas, a principal pauta de reivindicação dos petroleiros é o fim do plano de venda de ativos da Petrobrás. Por estar com o caixa comprometido com dívidas, a empresa está se desfazendo de parte do seu patrimônio para fazer receita. No mês passado, anunciou a venda de 49% da subsidiária de distribuição de gás natural, a Gaspetro, para a japonesa Mitsui e ainda busca sócio para a BR Distribuidora.

Para a FUP, é possível engordar o caixa da empresa sem vender parte dela. Além de argumentar que o plano de desinvestimento vai gerar demissões dentro da companhia, os sindicalistas alegam que ele terá impacto também na economia brasileira como um todo.

"A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos vêm desde junho tentando discutir com a Petrobrás e com o governo alternativas para que a empresa continue cumprindo o seu papel de indutora do desenvolvimento nacional", traz nota distribuída pela instituição. Em seu comunicado, os petroleiros utilizam estudo elaborado pelo Ministério da Fazenda, que aponta que para cada R$ 1 bilhão que a Petrobrás deixa de investir no Brasil o efeito sobre o Produto Interno Bruto (PIB) é de R$ 2,5 bilhões.

"Se o Plano de Negócios da empresa não for alterado, a estimativa é de que 20 milhões de empregos deixarão de ser gerados até 2019", informa a federação em comunicado.

Desde quinta-feira, empregados da Petrobrás começaram a cruzar os braços, mas por indicação da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que tem um número menor de sindicatos filiados do que a FUP. A FNP tem cinco sindicatos filiados e a FUP, 12. Com a adesão da FUP à paralisação, a greve ganha importância, porque atinge grandes unidades operacionais da empresa. Um dos seus integrantes é o conselheiro de administração da Petrobras Deyvid Bacelar.

"Vamos cumprir a Lei de Greve, que garante uma cota de produção de combustíveis. A luta é por uma pauta que prevê a Petrobrás como indutora do crescimento. Não faria sentido paralisá-la. Também não estamos brigando por reajuste salarial. De que adianta brigar por salário agora? Se a empresa for embora, fico com o quê?", questionou o diretor de Comunicação da FUP, Francisco José de Oliveira.

Já os sindicatos organizados na FNP pedem reajuste salarial de 18%. Em reunião com a equipe de recursos humanos da companhia, na última quarta-feira, receberam a proposta de 5,7%. Ao fim do encontro, insatisfeitos com a posição da empresa, iniciaram a greve nas unidades de sua cobertura. A Petrobrás chegou a fazer nova proposta, de reajuste de 8,1%, mas os petroleiros consideraram que o porcentual não cobre a inflação do último ano e permanecem em greve por tempo indeterminado. 

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