Greve reduz produção de petróleo da Petrobras em 16%

Petroleiros do Rio tentam forçar empresa a considerar dia do desembarque da plataforma como trabalho

Reuters,

14 de julho de 2008 | 13h06

A Petrobras informou nesta segunda-feira, 14, que a greve dos petroleiros reduziu a produção da companhia em 16%, ou 300 mil barris diários, mas que espera reverter a situação com o avanço das negociações com seus empregados. Os petroleiros da Bacia de Campos - responsável por 80% da produção nacional, de cerca de 1,8 milhão de barris diários - entraram em greve à zero hora desta segunda-feira para tentar forçar a empresa a considerar o dia do desembarque da plataforma como trabalho e não folga.   Veja também: Falta de equipamentos levará a devolução de blocos, diz Lobão Greve dos petroleiros afeta quatro plataformas, diz Lobão Petroleiros iniciam paralisação no RJ e discutem greve nacional Preço do petróleo em alta   Segundo os grevistas, a redução da produção foi da ordem de 400 mil barris diários. A greve é restrita à Bacia de Campos e promovida pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.   Na terça-feira, a Federação Única dos Petroleiros (Fup) vai se reunir para decidir se estende a greve a outras regiões produtoras do Brasil. No caso da Fup, a reivindicação é por maior participação nos lucros da companhia e mais segurança para os trabalhadores.   Segundo a Petrobras, a equipe de contingência montada pela companhia vai tentar garantir a normalidade do abastecimento nos cinco dias previstos de greve na bacia de Campos e não deverá haver prejuízo à população.   "Com o acionamento do Plano de Contingência da companhia, as plataformas da Bacia de Campos continuam produzindo e está garantida a segurança das operações", informou a Petrobras em nota.   O sindicato também havia informado mais cedo que os estoques garantiriam o funcionamento das refinarias e que não deveria haver falta de combustíveis líquidos. Um diretor do sindicato alertou, no entanto, para possíveis desabastecimentos de gás natural, o que também foi descartado pela Petrobras.   Segundo a estatal, apenas quatro plataformas de produção - e não 12 como informou mais cedo o sindicato - teriam interrompido as atividades. A estatal anunciou ainda que conseguiu no Tribunal Regional do Trabalho liminar que garante o desembarque dos grevistas, mas assegura a permanência de quem desejar continuar trabalhando.     Nova proposta   "Com as ações adotadas, a companhia mantém o compromisso com a continuidade operacional da empresa, a segurança e o abastecimento do mercado", afirmou a empresa. Sem dar detalhes, a Petrobras informou que apresentou nova proposta para os empregados.   "Com a intermediação do Ministério Público do Trabalho, a Petrobras apresentou uma nova proposta aos empregados e continua empenhada na busca de uma solução rápida e negociada", ressaltou a Petrobras na nota.   De acordo com o sindicato, a greve vai permanecer durante eventuais negociações e ainda não há informação sobre a nova proposta. As ações da empresa, que é líder do Ibovespa, operavam em alta de 0,76% por volta das 12h55, enquanto o principal índice da Bovespa subia 1,25%.   "A curva da produção da empresa já não estava crescendo bem. Com a greve, pode piorar, e também vai depender do tempo que a greve durar", avaliou o analista do Banco do Brasil Investimentos Nelson Rodrigues de Matos.

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