Greve restringiu acesso a crédito barato, diz BC

Sem funcionários, muitas agências não abriram. Clientes trocaram consignado por empréstimos mais caros, como cheque especial

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

23 de novembro de 2011 | 12h09

BRASÍLIA - A greve dos bancários que perdurou durante a primeira quinzena do mês passado afetou os indicadores do mercado de crédito. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, sem funcionários, muitas agências não abriram, o que dificultou o acesso dos clientes às operações consideradas mais baratas, como o consignado, e, por consequência, aumentou a busca por empréstimos mais caros, como o cheque especial. A inadimplência média nas operações de crédito voltou a subir no mês passado, para 5,5%.

"A greve se refletiu nas estatísticas porque os empréstimos que são tomados nas agências são mais baratos. E o acesso a essas operações ficou mais restrito até pela restrição de o cliente entrar na agência", explicou Maciel, ao comentar que clientes que não conseguiram realizar essas operações foram atrás de empréstimos mais caros.

O chefe do departamento econômico do BC explicou que a concessão de empréstimos no consignado, por exemplo, caiu 13,4% em outubro na comparação com setembro. Já a concessão de crédito via cheque especial teve expansão de 4,3%. "As operações pré-aprovadas tiveram crescimento mais forte e ajudaram a elevar a média geral do juro praticado em outubro", disse.

Para Maciel, a greve afetou até a inadimplência, que subiu em outubro. "Tivemos relatos de que esse indicador também foi afetado pela greve porque clientes que queriam renegociar débitos não conseguiram porque agências estavam fechadas. Por isso, é preciso ter certa cautela com o indicador da inadimplência no mês passado", disse.

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