Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Grupo Avenida quer dobrar de tamanho até 2027

Sob controle da Pepkor desde fevereiro, a empresa que é uma das líderes no varejo de confecção popular prevê fechar 2022 com vendas acima de R$ 1,1 bi

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2022 | 05h00

Com sete anos de atraso, o Grupo Avenida, um dos líderes do varejo de confecção popular nas regiões Centro-Oeste e Norte, conseguiu no mês passado cumprir a meta que traçou para 2015: atingir faturamento anual de R$ 1 bilhão. Comprada em fevereiro pela gigante do comércio de vestuário para classes de menor renda, a Pepkor, da África do Sul, por cerca de R$ 1,1 bilhão, a companhia planeja forte expansão. O plano é alcançar 300 lojas até 2027, ante as 130 atuais, e chegar nesse processo a outras regiões do País.

“Espero que o próximo bilhão venha mais rápido, não só por conta das novas lojas, mas também pelo crescimento de vendas das lojas existentes”, diz Rodrigo Caseli, presidente da companhia. Ele é filho de Aílton Caseli, que fundou a varejista em 1978, em Cuiabá. Após a entrada da Pepkor, a família ficou com 13% do negócio.

A demora para atingir a meta do primeiro bilhão ocorreu por causa de uma combinação de vários fatores.

Internamente, houve dificuldade do Grupo de encontrar um sócio, que veio só em 2012 com a entrada do Kinea, fundo que saiu do negócio em fevereiro deste ano, vendendo sua participação a Pepkor. 

Já entre os fatores externos, o executivo lembra o ritmo mais lento da economia em 2015 e 2016 e a pandemia. “Agora deslanchou”, diz Caseli, que projeta para o ano fechado de 2022 vendas acima de R$ 1,1 bilhão.

Desde fevereiro deste ano sob o controle do grupo sul-africano, as mudanças no dia a dia dos negócios começaram aparecer nas vendas. Em março e abril, o faturamento da varejista cresceu 80% e 90%, respectivamente, em relação a igual período de 2019, pré-pandemia.

Caseli atribui esse desempenho à oferta de produtos de menor preço. Com capital de giro, a companhia conseguiu reduzir os prazos de pagamento de fornecedores e repassar esse diferencial para a etiqueta dos produtos num momento de inflação em alta. “E a gente nem começou a comprar produtos da Ásia”, observa o executivo.

Hoje os importados respondem por 8% da oferta da varejista brasileira. Já os itens asiáticos, tradicionalmente mais baratos, têm forte presença no mix de produtos da Pepkor. A companhia é dona de um escritório em Xangai, na China, onde negocia diretamente com fornecedores locais.

Caseli viajou neste mês para Cidade do Cabo, capital da África do Sul. No momento, as companhias estão na fase de ajuste e compatibilização das operações, processo que deve ser concluído em setembro, quando se encerra o ano fiscal.

Lojas Menores

O Grupo Avenida iniciou estudos para um novo modelo de loja, menor e mais barato do que o atual, voltado a cidades na casa dos 30 mil habitantes. Caseli ainda destaca que a Pepkor é uma verdadeira máquina de abrir lojas e chega a inaugurar duas por dia. Por isso, ele não descarta a possibilidade de que a controladora queira ir além da meta de 300 lojas até 2027. “O Leon (Lourens, presidente da Pepkor) disse que vou enjoar de abrir loja.”

Com 5,5 mil lojas em dez países e valor de mercado de US$ 5,3 bilhões, o plano do grupo sul-africano é construir a maior e melhor varejista do Brasil, usando o Grupo Avenida como plataforma. 

Investimento estrangeiro

A internacionalização do varejo de moda é um movimento favorável para companhias nacionais de médio porte, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, Eduardo Terra. O consultor explica que esse modelo, ao ampliar a escala de compras, possibilita que essas empresas tenham preços competitivos e também mais condições de concorrer com gigantes do setor, como Renner, C&A e Riachuelo.

Terra também destaca como fatores positivos o acesso a capital, por custo menor, e à tecnologia. “Com um parceiro deste tamanho, o Grupo Avenida terá acesso à inovação e esse é o lado bom da coisa.”

No entanto, o consultor pondera que o grande desafio é a governança e a integração dos modelos de negócios das duas empresas. Ele lembra que Caseli sempre foi o dono e agora tem um sócio majoritário a quem deve responder. Isso demanda uma mudança de postura. “Se existe um ponto de interrogação do sucesso, é esse”, afirma Terra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.