ANDRÉ LESSA/AE
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Com Vult, Boticário passará a deter 15% do mercado de maquiagem no País

Linha de maquiagem popular, fundada há 14 anos em Mogi das Cruzes (SP), cresceu durante crise e fatura cerca de R$ 300 milhões ao ano

Fernando Scheller e Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

09 Março 2018 | 12h35

O Grupo Boticário deu ontem um passo para se aproximar das consumidoras das classes C e D ao comprar a marca Vult, fundada em Mogi das Cruzes (SP) há 13 anos e que durante a crise econômica vinha crescendo entre 40% e 50% anualmente graças à sua proposta de preços baixos. O Boticário não revelou o valor da aquisição, mas o ‘Estado’ apurou que a receita anual da Vult hoje gira em torno de R$ 300 milhões.

Depois de lançar uma série de marcas próprias entre 2011 e 2013 – entre elas Quem Disse, Berenice?, Eudora e The Beauty Box – e de firmar sua marca principal nas vendas diretas, um território que tradicionalmente era ocupado por Avon e Natura, o Boticário agora dá passos para atuar no varejo multimarcas.

Embora a Vult tenha alguns pontos de venda próprios, em especial quiosques, o forte da empresa são as vendas em distribuidores, farmácias e supermercados.

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Tendo como carro-chefe uma linha de maquiagem voltada às classes C e D, a Vult tem produtos vendidos a menos de R$ 10 – valor mais baixo do que o praticado pela Quem Disse, Berenice?, cadeia do Grupo Boticário voltada principalmente à maquiagem.

Crescimento. Nos anos de crise, entre 2015 e 2017, disse uma fonte do setor de cosméticos, a proposta de valor da companhia agradou às consumidoras e garantiu um forte crescimento à empresa. Hoje, apurou o Estado, a empresa teria uma fatia de 30% no mercado multimarcas.

De acordo com dados da consultoria Euromonitor, a aquisição vai adicionar 4 pontos porcentuais à participação do Grupo Boticário no mercado nacional de maquiagem, do qual passará a deter mais de 15%. Será o suficiente para a empresa ultrapassar a Natura e conquistar a segunda posição no segmento, que continuará a ser liderado pela Avon, que detém 24% das vendas de maquiagem no País.

O negócio marca um raro movimento do grupo paranaense, que faturou R$ 12,3 bilhões no ano passado, com alta de 7% ante 2016, no mercado de fusões e aquisições. Em 2013, a empresa havia comprado uma fatia da distribuidora de perfumes Frajo, que também tem a Coty entre suas acionistas.

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Comando. O Grupo Boticário passará a ser dono de 100% do negócio, mas os fundadores da marca, Murilo Reggiani e Daniela Cruz, permanecerão à frente do negócio, pelo menos neste primeiro momento. Procurados, o Grupo Boticário e os fundadores da Vult não quiseram dar entrevista. O Boticário alegou que o negócio depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser concluído.

Segundo o Estado apurou, no entanto, Reggiani foi a força criativa por trás da criação da Vult, enquanto Daniela entrou com a maior parte do capital do negócio, aberto em 2004. Uma fonte próxima à empresa contou que, após quase se formar em engenharia, o empresário decidiu se dedicar à venda de cosméticos.

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Começou trabalhando para a Max Love, mas, depois de essa empresa enfrentar dificuldades, decidiu abrir seu próprio negócio.

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