Grupo Campari compra brasileira Sagatiba por US$ 26 milhões

Acordo demonstra que investidores internacionais estão dispostos emapostar em produtos tipicamente nacionais para também lucrar com oconsumo em expansão

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

04 de agosto de 2011 | 16h30

O mercado de bebidas do Brasil se torna alvo de um assédio internacional e até a cachaça é agora alvo de investidores internacionais. Depois da compra no início da semana da Schincariol pelo grupo japonês Kirin, nesta quinta-feira, 4, foi a vez da italiana Davide Campari-Milano anuncar a aquisição da marca brasileira de cachaça Sagatiba por US$ 26 milhões. A aposta é de que o consumidor brasileiro, com uma renda cada vez melhor, estará cada vez mais inclinado a pagar mais por uma cachaça de qualidade.

No mercado de bebidas, a aquisição foi considerada como simbólica. O acordo demonstra que investidores internacionais estão dispostos em apostar em produtos tipicamente nacionais para também lucrar com o consumo em expansão. 

A Campari ainda pagará um valor adicional equivalente a 7,5% das vendas anuais da Sagatiba durante os próximos oito anos. Em 2010, a Campari já havia acertado um acordo de distribuição da marca no Brasil e América Latina. O entendimento permitiu que o produto fosse distribuído em 40 países pelo mundo.

Agora, a opção foi pela compra de 100% das ações da Sagatiba, que havia sido fundada pelo empresário Marcos de Moraes em 2004 e colocou no mercado marcas como Pura, Velha e Preciosa. As vendas da empresa chegaram a 112 mil caixas de nove litros cada em 2010, uma expansão de 21,6% em média entre 2005 e 2010.

Segundo o CEO da empresa italiana, Bob Kunze-Concewitz, a decisão de adquirir a Sagatiba vem da projeção de que bebidas de maior qualidade ganharão um público consumidor cada vez maior no Brasil, diante do aumento da renda.

"Com a aquisição da Sagatiba, o grupo tem como objetivo explorar a categoria de cachaças premium que continua a crescer no Brasil ", afirmou a empresa em um comunicado. Segundo a Campari, consumidores estão migrando para produtos de maior qualidade e mais caros, "graças à maior renda e crescimento demográfico". "Há muito potencial ", afirmou o executivo, apostando em crescimento de mais de 10% por ano.

Em 2010, 85 milhões de caixas de nove litros de cachaça foram consumidas no mundo. 99% desse volume foi consumida no Brasil.  Segundo o CEO da empresa, o segmento premium ainda representa apenas 2% do mercado total da cachaça.  "Mas está ganhando terreno", disse.

Expansão

Outro motivo claro foi o de usar a marca brasileira para consolidar a empresa ainda mais no mercado nacional, um dos poucos em plena expansão. "A aquisição irá fortalecer de forma significativa nosso portfolio nesse mercado emergente chave", disse o executivo, sobre o Brasil. "O acordo irá permitir acesso a um dos maiores segmentos do mercado brasileiro", afirmou, lembrando que o sucesso das marcas premium estão ocorrendo por conta da "melhoria sócio-econômica" do País.

De fato, foi a expansão nos mercados emergentes que permitiu nesse ano que a companhia italiana, que detém mais de 40 rótulos, atingir um crescimento em vendas e pretende se expandir também na China.

A Campari registrou lucro líquido de 75,3 milhões de euros (US$ 107 milhões) no primeiro semestre, 8,7% a mais que em 2010. Já as vendas no período atingiram um total de 589 milhões de euros.Os italianos não estão sozinhos na expansão pelo Brasil. A aquisição ocorre na mesma semana em que o grupo japonês Kirin pagou quase R$ 4 bilhões pelo controle da cervejaria brasileira Schincariol por R$ 3,95 bilhões.

Dados do setor indicam que, de fato, a expansão do consumo no Brasil tem atraído empresas a buscar negócios no País. Hoje, o Brasil já é o sétimo maior mercado de bebidas no mundo e vem crescendo acima da taxa internacional de 9%. Além de um maior número de consumidores, há também uma busca por produtos de melhor qualidade. Não por acaso, a Companhia Muller de Bebidas já lançou a Cachaça Reserva 51 e a 51 Gold. Já a tradicional Cachaça 51 passou a ser neste ano a quarta bebida mais vendida no mundo, segundo a International Wine & Spirit Research (IWSR).

Cachaça

Nesta quinta, a investidores, a empresa italiana foi obrigada a explicar o que é a cachaça. "É um derivativo da cana de acucar e um ingrediente chave para a clássica caipitinha, a famosa bebida brasileira com limão e açúcar", explicou o comunicado emitido em Milão.

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