Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Grupo da Ambev tem lucro acima do esperado com preços mais elevados no Brasil

Ambev lucrou R$ 2,96 bi no 1º trimestre; o grupo Anheuser Busch InBev aumentou os preços e vendeu mais cervejas premium no Brasil e na China, o que compensou as vendas menores nos EUA

O Estado de S. Paulo

06 Maio 2015 | 08h12

A fabricante de bebidas Ambev teve lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no primeiro trimestre de 2015, valor que representa uma alta de 10,4% ante igual período do ano passado. Este resultado é o atribuído a participação dos controladores, excluindo a participação dos minoritários da companhia. Já o lucro consolidado, que inclui a fatia dos minoritários, registrou um crescimento de 14,1% na mesma base de comparação, alcançando R$ 2,962 bilhões no primeiro trimestre.

O resultado da companhia brasileira garantiu um aumento do lucro para a Anheuser Busch InBev, a maior cervejaria do mundo formada pela fusão da Ambev, da belga Interbrew e da americana Anheuser-Busch. A Anheuser Busch InBev anunciou um lucro líquido de US$ 2,68 bilhões no primeiro trimestre de 2015. O resultado é quase o dobro do registrado no mesmo período do ano passado, US$ 1,37 bilhão.

No primeiro trimestre, o grupo aumentou os preços e vendeu mais cervejas premium no Brasil e na China, o que compensou as vendas bem menores nos Estados Unidos. O volume de vendas consolidado caiu 1,2%, principalmente devido à baixa de 6% nas vendas a atacadistas norte-americanos, que elevaram estoques no ano passado antes de negociações sindicais.

No entanto, a companhia vendeu mais de suas marcas globais com maiores preços. Os volumes de vendas da Budweiser, que são maiores agora fora dos EUA do que dentro, subiram 6,2%, com crescimento particularmente forte em Brasil e China. "Muito do fato de ela ter superado expectativas se deve aos preços bastante fortes no Brasil", disse o analista da Bernstein Research Trevor Stirling, acrescentando que a companhia também ganhou no Brasil com incentivos a investimentos, como a construção de novas cervejarias.

Resultado brasileiro. No Brasil, o segundo maior mercado de cerveja da AB InBev e do mundo em termos de lucro, as vendas ficaram praticamente inalteradas, mas a companhia conseguiu elevar a receita por hectolitro em 11%. A AB InBev espera elevar a receita no Brasil em um dígito percentual de médio a alto em 2015, com ajuda de cervejas premium. No entanto, vê pouco espaço para aumentar volumes um ano depois de o país sediar a Copa do Mundo.

As receitas da cervejaria brasileira (que somaram R$ 10,768 bilhões no trimestre) foram fortes, mas o lucro líquido atribuído a participação dos controladores (de R$ 2,8 bilhões) ficou abaixo das estimativas do mercado. O resultado reportado foi 7% menor que a média das projeções nove instituições financeiras consultadas pela Agência Estado. A média apontava para lucro atribuído ao controlador, excluindo participação de minoritários, de R$ 3,030 bilhões entre janeiro e março do ano passado.

O crescimento do lucro líquido da Ambev no primeiro trimestre de 2015 foi impactado por alta de despesas financeiras e uma maior alíquota efetiva de impostos. A companhia destacou esses efeitos em sua divulgação de resultados e ponderou que eles compensaram parcialmente o crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). O Ebitda subiu 25,2%, totalizando R$ 5,065 bilhões de janeiro a março. A alíquota efetiva de impostos aumentou na comparação anual, passando de um porcentual de 17,5% para 24,3%. 

Metas. A Ambev manteve inalteradas suas metas (guidances) para os resultados no Brasil do ano de 2015. Em seu release de resultados, a empresa reafirmou as expectativas divulgadas no início deste ano para receita, despesas gerais e administrativas, custo do produto vendido (CPV) e investimentos no País.

A companhia destaca que a estratégia no Brasil contempla fortalecer as principais marcas e impulsionar ainda mais o crescimento de cerveja no segmento premium. A companhia também afirma que as ocasiões de consumo dentro de casa oferecem significativas oportunidades de crescimento de volume e diz que continuará a buscar maneiras de aperfeiçoar a experiência de consumo em bares e restaurantes. Além disso, a Ambev menciona produtos novos da categoria chamada de "near beer", caso da Skol Beats Senses, uma iniciativa da companhia para ganhar mercado em bebidas alcoólicas para além do universo da cerveja.

A fabricante de bebidas segue acreditando que a receita líquida no Brasil deve crescer entre um dígito médio e um dígito alto no ano. "No Brasil, fomos capazes de entregar um sólido desempenho de receita líquida e Ebitda, apesar das condições externas desfavoráveis", afirmou a companhia em comentário da administração. "A perspectiva para o resto do ano não é diferente", acrescentou. "Esperamos que o ambiente macroeconômico continue desafiador, mas nos mantemos confiantes com a nossa estratégia", completou. (com informações da Agência Estado e Reuters)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.