Grupo de consumidores grego pede boicote a produtos da Alemanha

Anúncio ocorre em momento de tensão crescente entre os dois países, ante potencial pacote de ajuda bilionária para a Grécia

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

26 de fevereiro de 2010 | 15h18

Uma importante organização de consumidores gregos pediu, nesta sexta-feira, 26, um boicote a produtos alemães. O anúncio é feito em meio a divergências entre a Alemanha e a mídia da Grécia, que provocaram tensões bilaterais e novos pedidos para que os alemães paguem reparações por guerras do passado.

 

Na semana passada, pesquisas de opinião da mídia alemã mostraram que mais de 70% dos alemães queriam a Grécia fora da zona do euro, piorando o clima. Desde então, a mídia grega lembrou a ocupação nazista na Segunda Guerra no país.

 

Já a revista alemã Focus publicou um provocativo texto, com uma imagem da estátua da Venus de Milo em sua capa fazendo um gesto obsceno, apontando os gregos como os "trapaceiros da zona do euro".

 

Em um comunicado nesta sexta-feira, a Federação dos Consumidores Gregos (Inka) referiu-se ao passado alemão na Segunda Guerra e também à revista Focus para pedir um boicote aos produtos alemães. "Em sinal de protesto, a Inka...pede a todos os cidadãos do país que boicotem todos os produtos e compras alemães, mesmo que eles peçam desculpas", afirma o texto.

 

"A distorção de uma histórica estátua grega da beleza e da civilização, de uma época que eles (alemães) estavam comendo bananas em árvores, é inaceitável e indesculpável para povos civilizados posteriormente", sustenta o comunicado.

 

Em questão está o potencial pacote de ajuda bilionário para a Grécia, que viu o custo de seus empréstimos crescer muito, após revelar no ano passado que seu déficit orçamentário iria chegar a 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB), mais de quatro vezes o limite da União Europeia.

 

Em meio ao temor de que a Grécia possa ter dificuldades para emprestar nos mercados financeiros, líderes da UE concordaram neste mês em realizar uma espécie de pacote de ajuda para o país. Provavelmente esse pacote será pago em boa parte pelos contribuintes da Alemanha, a maior e mais rica economia do bloco.

 

Mais cedo nesta sexta-feira, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse no Parlamento que as reparações alemãs da época da guerra ainda são um assunto não resolvido. Ele negou, porém, que a Grécia vá explorar a atual crise para pressionar a Alemanha sobre o tema.

 

A convite da chanceler alemã, Angela Merkel, Papandreou deve visitar Berlim em 5 de março, informou o escritório dele em comunicado nesta sexta-feira.

As informações são da Dow Jones.

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